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Alexandre Pinatto: do violino na igreja ao Teatro Municipal de SP

Podcast Violino Didático

Alexandre Pinatto tem 27 anos e já ocupa uma cadeira em uma das maiores orquestras do Brasil: a Orquestra do Teatro Municipal de São Paulo. Entrou com apenas 21 anos, em contrato, tornando-se um dos músicos mais jovens a conquistar essa posição. A trajetória que o levou até lá mistura fé, família, determinação e muito estudo.

Em conversa com Jean de Oliveira no Podcast do Violino Didático, Alexandre abriu a história desde o começo. Uma história que começa em Manaus, passa pela Congregação Cristã do Brasil e chega à EMESP Tom Jobim, antes de desembocar no palco do Municipal.

Raízes em Manaus e uma família fora do comum

Alexandre nasceu em Manaus, mas se mudou para São Paulo com apenas um ano de idade. Cresceu, na prática, sob os cuidados dos avós maternos. Seus pais são deficientes auditivos, os dois por sequela de meningite: a mãe perdeu a audição aos seis meses de vida, o pai aos quatro anos.

Foi o avô, ex-militar e músico, quem abriu as portas para a música. Tocador de trompete e clarinete, ele havia ensinado muita gente na área musical dentro da igreja. Quando Alexandre tinha por volta de cinco anos, o avô perguntou se queria aprender música, jogar futebol ou praticar artes marciais. O menino escolheu futebol e música, nessa ordem.

O violino entrou pela porta da igreja

A iniciação no violino aconteceu na Congregação Cristã do Brasil. Um tio por afinidade, que namorava uma de suas tias, estudava violino. Alexandre o via praticar e ficou encantado com o instrumento. “Sempre achei instrumento diferenciado”, contou. A decisão estava tomada.

Os primeiros professores foram integrantes da própria comunidade: Davi, Henry Berg, Marcelo e Cesinha, ligado à OSESP. Esse período durou dos seis aos nove ou dez anos de idade, aproximadamente. Vale destacar que Alexandre não era membro da Congregação, mas a avó era porteira da comunidade local e ele teve acesso às aulas mesmo assim.

Ao longo da conversa, Jean e Alexandre ressaltaram o trabalho educacional que a Congregação realiza no Brasil. Para os dois, a igreja é possivelmente a maior formadora de músicos de cordas e metais do país, abrindo portas para pessoas que, de outro modo, talvez nunca tivessem tocado um instrumento.

A EMESP e os professores que marcaram

Com nove anos, Alexandre prestou o processo seletivo da EMESP Tom Jobim e não passou. Ficou triste, mas estudou por um mês antes da tentativa seguinte, já com onze anos, e foi aprovado. Segundo ele, tinha uma facilidade natural, mas não estudava muito naquela época.

Na escola, começou com o professor Florian, violinista da OSESP. Em suas palavras, foi “uma experiência de muitas emoções, para o bem e para o mal”. As aulas eram intensas. Alexandre chegou a chorar na ida e na volta de trem, antecipando o que viria e sofrendo pelo que já tinha acontecido. Mas a evolução foi absurda. Uma afinidade se formou entre os dois, e Florian acabou o adotando também em aulas particulares.

Depois, por cerca de sete anos, estudou com a professora Liliana, outro pilar fundamental da sua formação. Foi nesse período que a carreira tomou forma de verdade.

Como funciona uma prova de orquestra

Para quem nunca ouviu falar no processo seletivo de uma orquestra profissional, Alexandre explicou com detalhes. Tudo começa com o envio de um vídeo e currículo para análise de uma banca. Os selecionados avançam para a fase presencial, que pode durar um ou dois dias.

Na primeira etapa, o candidato toca um movimento de concerto de Mozart, com cadenza, atrás de um biombo, sem que a banca saiba quem é. Na segunda, um concerto romântico, também com cadenza. Na terceira, os excertos: trechos de sinfonias e óperas, peças que todo violinista de orquestra precisa dominar.

No caso do Teatro Municipal, tudo aconteceu em um único dia. Alexandre foi aprovado e anunciado no mesmo dia. Saiu com um contrato de um ano de teste. Hoje está lá há mais de cinco anos.

A entrada mais jovem e o caminho até o Municipal

Antes do Municipal, Alexandre passou pela Orquestra Jovem do Estado de São Paulo, carinhosamente chamada de “Estadual Zinha”, e pela Academia da OSESP. O salto para o Teatro Municipal veio quando um edital foi aberto ainda durante o período na Academia.

“Fui tentar fazer”, disse Alexandre, com simplicidade. Jean logo perguntou: fazer a prova ou passar? A resposta foi direta: estudei para passar. Ele já havia trabalhado os concertos antes, pegou os excertos para revisar e foi. Deu certo.

Entrando com 21 anos em contrato, Alexandre se tornou um dos violinistas mais jovens a integrar o quadro do Teatro Municipal de São Paulo, referência nacional na música erudita.

Uma história que inspira

O que chama atenção na trajetória de Alexandre Pinatto não é só o talento. É a combinação de circunstâncias improvável: nascido em Manaus, criado pelos avós, filho de pais surdos, iniciado na música por uma comunidade religiosa e chegando, aos 21 anos, a uma das maiores orquestras do Brasil.

A conversa com Jean mostra um músico reflexivo, grato às suas origens e honesto sobre os desafios do caminho. Inclusive sobre os momentos difíceis, como as aulas que o faziam chorar no trem, mas que foram decisivas para seu crescimento.

Ouça o episódio completo no YouTube: ALEXANDRE PINATTO - Podcast do Violino Didático #013

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