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Ana Cláudia Biffi: a aluna que virou alma da comunidade do Violino Didático

Podcast Violino Didático

Ana Cláudia Biffi não é violinista profissional, não tem formação em conservatório e nunca tocou violino na infância. Mesmo assim, ela se tornou uma das figuras mais queridas da comunidade do Violino Didático. Jean de Oliveira, ao recebê-la no podcast, disse com todas as letras: entre os alunos, esse era o episódio mais aguardado de todos.

O apelido diz muito sobre ela: a cola da comunidade. É a Ana Cláudia que conecta pessoas, anima quem está desanimado e responde dúvidas no grupo. Antes de falar de violino, porém, é preciso entender quem é essa mulher, porque a história dela é das mais ricas.

Uma vida inteira correndo atrás

Paulistana nascida na Maternidade de São Paulo, uma das mais famosas do país, Ana Cláudia cresceu em uma família de descendentes de italianos, austríacos e alemães. O pai, engenheiro, economista, administrador e químico, faleceu cedo e deixou quatro filhos para a mãe criar sozinha. Essa realidade moldou a personalidade prática e determinada que ela carrega até hoje.

Aos 14 anos, ela já queria trabalhar. Chegou em casa, avisou a mãe que iria tirar a carteira de trabalho e saiu em busca do primeiro emprego. O que veio a seguir foi uma sequência de situações que beiram o absurdo: um dos empregadores que ia contratá-la morreu antes da entrevista, outro também faleceu quando ela estava prestes a começar. O caderno onde ela colava recortes de anúncios de emprego de jornal chegou a mil vagas candidatadas.

Nesse meio-tempo, ela trabalhou de graça em uma marcenaria para aprender o ofício, passou pela prefeitura em um cargo de comissão, deu aulas de publicidade em curso técnico por seis reais a hora-aula, trabalhou em eventos como o Salão do Automóvel e chegou a estagiar na Grow Jogos e Brinquedos. Lá, ela fez o desenho dos quebra-cabeças de 100 peças e até criou o carimbo dos Thundercats, colocando uma letrinha discreta no desenho para marcar sua autoria, como os animadores de efeitos especiais do Rei Leão fizeram ao esconder “SFX” nas nuvens.

Além de tudo isso, ela criou o filho sozinha desde que ele tinha três meses, após a morte do pai da criança. Aposentada atualmente, ela diz com convicção: se um dia voltar a trabalhar, quer que seja com violino.

O violino chegou do nada

Não houve um familiar músico, não houve um concerto que a emocionou. Certo dia, Ana Cláudia simplesmente estava em casa, abriu o computador e pensou: “acho que vou comprar um violino.” Ficou um mês pesquisando qual seria o melhor instrumento e, em algum momento entre 2008 e anos seguintes, o violino chegou às suas mãos.

Ela já tocava piano, mas de ouvido. Nunca havia tido aula formal de piano. Sentava no instrumento da irmã, que mal usava, e ia descobrindo as notas por conta própria. Quando finalmente conseguiu estudar em uma escola de música, o professor de violino que a atendia era, na verdade, um guitarrista ganhando uma renda extra. Ele dava aula sentado, ensinava de qualquer jeito e havia uma parte do Minueto número 2 que Ana Cláudia nunca conseguiu entender com ele.

Foi assim que ela foi parar na internet. Encontrou o canal do Violino Didático, começou a seguir as aulas do zero, aula um, aula dois, aula três, e gostou do jeito de Jean explicar: postura, punho, cabeça, arco. Chegou a um ponto em que trocou as aulas que já havia pago na escola presencial pelo restante do valor de um plano de piano e migrou definitivamente para o método online.

45 dias de UTI e um recomeço

Em novembro de 2019, Ana Cláudia entrou para a turma Academy do Método Jean de Oliveira. No primeiro dia, leu tudo que havia disponível na plataforma, colocou estrelinhas em cada conteúdo e mandou um vídeo tocando o Tema da Alegria, como pedido. Ficou esperando a resposta de Jean no celular com a ansiedade de quem acabou de entregar uma prova importante.

O começo foi promissor. Mas, ainda no fim de 2019, ela precisou ser internada. Ficou 45 dias na UTI. Quando voltou para casa, no início de 2020, mal conseguia ficar de pé. A fraqueza era tanta que levou cerca de um mês só para recuperar o equilíbrio físico.

Ao retomar o violino, ela mandou uma mensagem para Jean dizendo que ia começar do zero. E começou mesmo. Voltou aos ritmos, às avaliações iniciais, ao ponto de partida. A mãe, com a melhor das intenções, dizia que talvez ela pudesse avançar mais rápido, já que havia aprendido alguma coisa antes. Ana Cláudia ficou um pouco chateada: todos os colegas que haviam entrado junto com ela já estavam à frente. Mas ela continuou, sem pressa e sem desistir.

O tempo de cada um é o tempo de cada um

Ana Cláudia levou um ano e meio para passar da faixa branca para a amarela no método. Quando Jean ouviu esse número, fez questão de reforçar: esse é o tempo dela, e é um tempo legítimo. Há quem leve mais, há quem leve menos, e o que importa é o progresso consistente, não a corrida.

Essa é uma das mensagens mais poderosas que emergem dessa conversa. Ninguém pressionou Ana Cláudia a avançar de faixa antes do tempo. Ela foi fazendo, foi indo, foi passando. Hoje, ela está na última música da faixa amarela, caminhando para a verde.

Ela conta que marca o número de envios de cada música, que responde perguntas de outros alunos no Instagram e no Telegram e que se reconhece como uma pessoa participativa desde criança. A comunidade não foi um efeito colateral da sua jornada. Foi, de certa forma, a continuação natural de quem ela sempre foi.

Persistência como método

O que a história de Ana Cláudia ensina não cabe em dica de técnica nem em tutorial de postura. Ela é a prova viva de que aprender violino na vida adulta, com todas as interrupções que a vida impõe, incluindo internações, lutos, recomeços e comparações inevitáveis com outros alunos, é completamente possível.

Ela começou sem nenhum estímulo externo, estudou com professor ruim, ficou 45 dias em UTI, voltou do zero e chegou até onde está hoje. E ainda encontrou tempo para se tornar a pessoa que cola a comunidade.

Quem quiser conhecer melhor essa trajetória e ouvir Ana Cláudia falar com a própria voz, vale muito a pena conferir a conversa completa.

Ouça o episódio completo no YouTube: ANA CLÁUDIA BIFFI - Podcast do Violino Didático #038

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