Cesar Augusto Miranda: Violino da OSESP
Cesar Augusto Miranda integra o naipe de violinos da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP) desde 23 de setembro de 1999. Natural de Osasco, interior da Grande São Paulo, ele construiu uma trajetória sólida ao longo de mais de duas décadas nas principais orquestras do estado.
Além de sua atuação na OSESP, Miranda ocupa desde 2012 o posto de spalla da Orquestra Bachiana Filarmônica SESI-SP, um dos conjuntos mais ativos do cenário musical brasileiro. Sua carreira combina rigor técnico, presença cênica e uma curiosidade intelectual que vai além dos palcos.
Os primeiros passos: formação e professores
Miranda iniciou seus estudos musicais aos 12 anos, sob a orientação de Cecilia Guida no Conservatório Musical Villa-Lobos, da Fundação Instituto Tecnológico de Osasco. Mais tarde, aprofundou sua formação com aulas particulares com os violinistas Cláudio Cruz e Ayrton Pinto.
Essa base pedagógica diversificada lhe deu alicerce para enfrentar repertórios variados e desenvolver uma voz artística própria. A influência de professores de perfis distintos é uma marca frequente nas trajetórias dos grandes instrumentistas brasileiros.
Masterclasses e festivais: aprendizado com referências internacionais
Ao longo de sua formação, Cesar Augusto Miranda frequentou eventos como a Oficina de Música de Curitiba em 1995 e o Festival Internacional de Música de Londrina em 1996. Também participou do Festival de Inverno de Campos do Jordão e do Festival de Artes de Itu.
Nessas ocasiões, teve contato com grandes nomes do violino mundial. Entre os mestres com quem estudou, destacam-se Erick Friedman, ex-aluno de Jascha Heifetz; Evgenia Maria Popova, discípula de Leonid Kogan; Guillaume Sutre e Régis Pasquier, ambos franceses; Jerrold Rubenstein, spalla da Orquestra Nacional da Bélgica e ex-aluno de Arthur Grumiaux; e Sidney Harth, aluno de George Enescu e ex-concertino de importantes orquestras norte-americanas. Os brasileiros Ayrton Pinto e Paulo Bosísio também figuram entre seus mestres nessas ocasiões.
Esse conjunto de experiências com pedagogos de linhagens tão distintas revela a amplitude da formação de Miranda.
Trajetória orquestral antes da OSESP
Em 1990, Miranda ingressou tanto na Orquestra Sinfônica de Sorocaba quanto na Orquestra Sinfônica de Santo André (OSSA). Com a OSSA, ele atuou como solista em obras de peso, incluindo o Concerto para Violino e Orquestra em Ré Maior Op. 35 de Erich Korngold e o Romance para Violino e Orquestra nº 2 em Fá Maior Op. 50 de Beethoven.
Em 1996, fez seu ingresso na Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, onde permaneceu até 1999. Nesse ano, transferiu-se para a OSESP, dando início a um capítulo que se estende até hoje.
Câmara, solos e a Bachiana Filarmônica SESI-SP
Entre 2000 e 2008, Miranda integrou a Orquestra de Câmara Engenho Barroco, ampliando sua experiência com repertório camerístico e barroco. Em 2012, assumiu a posição de spalla da Orquestra Bachiana Filarmônica SESI-SP, cargo que mantém até hoje.
Nessa função, já interpretou o Concerto para Dois Violinos em Ré Menor BWV 1043 de J. S. Bach ao lado de Emmanuele Baldini, e a Sinfonia Concertante para Violino, Viola e Orquestra em Mi Bemol Maior K. 364 de Mozart ao lado de Ederson Fernandes. Ambas as obras exigem cumplicidade artística entre os solistas, e as interpretações de Miranda receberam destaque em concertos memoráveis.
Como solista, Miranda também se apresentou com a Orquestra de Câmara da ECA-USP (OCAM) no Concerto para Violino, Cordas e Contínuo em Si Bemol Maior de G. B. Pergolesi.
Recitais solo na Sala São Paulo
Em maio de 2022, Miranda se apresentou na Sala São Paulo com a Paganiniana de Nathan Milstein, dentro de uma série de recitais de violino solo. Em novembro do mesmo ano, voltou ao palco da casa para executar a Sonata para Violino Solo em Mi Maior Op. 27 nº 6 de Eugène Ysaÿe, obra de considerável complexidade técnica e expressiva.
Essas duas apresentações evidenciam a dimensão solística de um músico que não se limita ao papel orquestral.
Momentos marcantes com a OSESP
Miranda guarda com especial carinho algumas experiências vividas ao lado da OSESP. A turnê pela Argentina e Peru em 2000, sob a regência de John Neschling, incluiu uma apresentação da Sinfonia nº 6 de Mahler no Teatro Colón, em Buenos Aires, um dos teatros líricos mais importantes do mundo.
A turnê pela China em fevereiro de 2019, sob a batuta de Marin Alsop, levou a OSESP a Xangai, Jinan, Pequim e Hong Kong, marcando a primeira vez que uma orquestra profissional brasileira se apresentou no país. Em outubro de 2022, a orquestra pisou no palco do Carnegie Hall, em Nova York, também sob a regência de Marin Alsop, com o espetáculo Floresta Villa-Lobos, combinando música e videoarte imersiva.
Sua obra favorita, a Sinfonia nº 5 em Dó Sustenido Menor de Gustav Mahler, foi executada diversas vezes com a OSESP ao longo de sua trajetória na instituição.
Luteria e alta fidelidade: as paixões fora dos palcos
Fora dos palcos, Miranda cultiva dois interesses que revelam sua relação profunda com o universo sonoro. Ele é entusiasta de aparelhos de som de alta fidelidade e se dedica a estudos de luteria nas horas vagas, explorando as questões técnicas e acústicas da construção de instrumentos.
Essa curiosidade pelo funcionamento interno do som e do instrumento diz muito sobre sua abordagem como músico: atenta, investigativa e comprometida com a excelência.
Este perfil faz parte do trabalho do Violino Didático em mapear os grandes nomes do violino brasileiro. O Violino Didático é uma iniciativa de Jean de Oliveira, referência no ensino de violino a distância no Brasil. Explore o canal, o podcast com mais de 137 episódios e os conteúdos educativos disponíveis nas redes sociais.