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Diego Adinolfi: violino, orquestra e raízes musicais

Podcast Violino Didático

Diego Adinolfi é um daqueles violinistas que fazem o instrumento soar com uma pureza difícil de ignorar. Jean de Oliveira, ao recebê-lo no Podcast do Violino Didático, não escondeu a admiração: descreveu o convidado como um dos caras com o som mais puro no violino. E a conversa que se seguiu mostrou por que esse som não surgiu do nada.

Nascido em São Paulo e criado numa família de músicos da Congregação Cristã do Brasil, Diego hoje mora no Espírito Santo há quase cinco anos. Por lá, integra a Orquestra Sinfônica do Espírito Santo (Oses), a Camerata Sesi e ainda mantém um quarteto de cordas, o Quarteto Bratia, com foco especial no repertório clássico.

Uma família inteira no palco

Diego cresceu literalmente ouvindo música em casa. Seu pai toca viola, sua mãe toca órgão e irmãos, primos e tios também são músicos. O violino entrou na sua vida aos sete anos, com o pai como primeiro professor, dentro da própria igreja.

Quando criança, no entanto, o plano não era necessariamente se tornar violinista. Diego admite, com bom humor, que preferia jogar bola. O incentivo do pai foi decisivo para que ele se dedicasse ao instrumento, mesmo sem a consciência de que aquilo poderia virar carreira.

O encontro que mudou tudo

A virada aconteceu de forma inesperada. Diego tinha entre 12 e 13 anos e estava sozinho na loja de música que seu pai havia aberto, praticando violino, quando um violoncelista chamado Franklin entrou para comprar cordas. Antes de chamar na loja, ele havia parado na calçada para ouvir o som que vinha de dentro.

Franklin perguntou se Diego já havia pensado em tocar profissionalmente, em uma orquestra de verdade. Foi ele quem mencionou o Grupo Pão de Açúcar, projeto musical ligado à rede de supermercados, regido pela maestro Renata Jafé e pelo maestro Daniel Muk. Diego conversou com os pais, e os três foram juntos conhecer o projeto, num trajeto que exigiu vários ônibus e quase duas horas de viagem desde Taboão da Serra.

Começar do zero, mesmo sabendo tocar

O Projeto Pão de Açúcar tinha uma regra clara: preferia receber alunos que nunca haviam tocado, para construir a formação do zero. Diego já tocava, dominava os hinos da igreja e tinha um som bonito. Mesmo assim, decidiu participar da seleção, que era simples, basicamente cantar parabéns e marcar um ritmo na mesa, e entrou no projeto com a intenção genuína de recomeçar.

Foi uma decisão dele, não dos pais. Com 13 anos, Diego já entendia que havia lacunas na sua formação e queria preenchê-las. Esse grau de autoconsciência precoce diz muito sobre quem ele viria a se tornar.

O choque com a excelência

Ao chegar ao projeto, Diego percebeu rapidamente que estava num ambiente diferente de tudo que havia vivido. Nas aulas, ele se saía bem, estava um passo à frente de quem estava começando do zero. Mas quando assistia aos ensaios da orquestra mais avançada, a sensação era outra.

Ver músicos da sua idade tocando com aquele nível de técnica e musicalidade não o desanimou. Pelo contrário: foi ali que nasceu o desejo real de estudar. Jean trouxe à conversa uma reflexão honesta sobre esse tipo de encontro com a excelência, há quem se inspire e há quem desista. Diego claramente ficou no primeiro grupo.

De São Paulo ao Espírito Santo

A conversa também passeou pela vida cotidiana do violinista, incluindo histórias bem-humoradas sobre os perrengues de andar de ônibus pelo centro de São Paulo quando jovem, assaltos incluídos, e uma aventura mais recente envolvendo uma ida improvisada a Ubatuba que terminou com uma placa de carro a menos.

Jean conduziu a conversa com o clima descontraído que é marca do podcast, recebendo Diego em Cotia, cidade natal do próprio Jean, onde os pais de Diego também moram. A participação de Amanda Matias, a Nana, violinista e produtora, deu ainda mais leveza ao papo.

Quarteto, câmara e sinfônica

Hoje, a rotina musical de Diego no Espírito Santo é intensa. A Oses ocupa boa parte do calendário, assim como a Camerata Sesi. O Quarteto Bratia existe para explorar o repertório de câmara, com ênfase no clássico, um universo que Diego claramente cultiva com carinho.

A trajetória dele é um bom exemplo do que Jean sempre defende no Violino Didático: não existe um único caminho para o violino. Diego veio da igreja, passou por um projeto social, enfrentou horas de ônibus e chegou às principais salas de concerto do país. O som puro que Jean tanto admira foi construído ao longo de muitos anos, uma nota de cada vez.

Ouça o episódio completo no YouTube: DIEGO ADINOLFI - Podcast do Violino Didático #139

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