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Eliana Barreto: a aluna que aprendeu violino do zero

Podcast Violino Didático

Eliana Barreto não planejou aprender violino. A história começou quase por acaso, com um olhar encantado para um instrumento que ela nem imaginava um dia tocar. Moradora de São Bernardo do Campo e proprietária de uma loja de móveis planejados, ela passou anos admirando o violino de longe antes de finalmente colocar as mãos em um.

Em conversa com Jean de Oliveira no Podcast do Violino Didático, Eliana contou sua trajetória com uma honestidade rara. São quase dez anos de tentativas, recomeços e aprendizados que vão muito além das notas musicais.

O primeiro encontro com o violino

Tudo começou em torno de 2010, num evento promovido pelo hospital onde Eliana trabalhava. Os funcionários foram convidados a mostrar algum talento para os pacientes. Foi ali que ela viu, pela primeira vez, uma colega tocando violino. O som e a imagem ficaram guardados.

Alguns anos depois, em 2015, uma apresentação de orquestra na sua igreja reacendeu aquela chama. Havia instrumentos de sopro, violão, celo, viola. Mas foram os olhos de Eliana que brilharam para o violino. “Eu não sei por quê”, ela disse, “mas o violino de fato é o melhor instrumento.”

Aulas em grupo e as limitações do início

Eliana começou a estudar em um projeto ligado à sua igreja, com mensalidade simbólica de R$ 50. O professor era saxofonista e atendia alunos de todos os instrumentos ao mesmo tempo. Não havia rotina fixa, nem progressão clara.

As aulas misturavam teoria e prática sem muita coerência. A teoria, nas palavras dela, “era um bicho de sete cabeças”. E a prática tinha um objetivo muito específico: apresentar músicas na igreja o mais rápido possível.

Eliana percebia que o som saía sujo, que a postura estava inadequada, que faltava alguma coisa. Mas sem referência para comparar, ela apenas continuava. Nem afinar o instrumento em casa era permitido: o violino era emprestado, e o professor orientava que a afinação fosse feita só na aula.

Jean aproveitou o momento para explicar um ponto importante: quem tem violino próprio precisa aprender a afinar desde cedo. Praticar com o instrumento desafinado durante seis dias e só ter a afinação correta no sétimo compromete todo o desenvolvimento. “Não é física quântica”, ele disse, “é girar um pedaço de madeira.”

Um projeto municipal e a chegada da pandemia

Em 2018, o professor do grupo deu um passo honesto e raro: reconheceu os limites do que podia oferecer e orientou os alunos a buscarem professores particulares. Eliana pesquisou, encontrou valores em torno de R$ 400 mensais e percebeu que não estava ao seu alcance.

A saída foi um projeto municipal de música gratuita em São Bernardo do Campo. Ela se inscreveu, passou e ficou de 2018 até o início de 2020. O método usado era o All for Strings, com foco em leitura de partitura. As aulas ainda eram em grupo, com diferentes níveis misturados no começo.

Eliana gostava de tocar junto com outras pessoas. A orquestra tinha algo especial que o estudo solo não oferecia. Mas ela mesma se sentia “muito crua” para as partituras que o grupo tocava. Havia uma pressão constante por apresentações, motivada por compromissos políticos do projeto.

Depois, a pandemia chegou. E com ela, o fim das aulas presenciais.

O encontro com o Violino Didático

Eliana já acompanhava o canal do Violino Didático há algum tempo antes de se tornar aluna. Ela assistia aos vídeos de forma esporádica, sem muita constância. Como ainda tinha aulas na escola de música, achava que não precisava tanto do canal.

Mas um encontro presencial mudou tudo. Em 2018, uma colega de escola comentou sobre um encontro que Jean estava organizando no vão do MASP, em São Paulo. O grupo ia tocar músicas de natal para as pessoas na rua e distribuir flores e panetones.

Eliana foi, mesmo atrasada, mesmo sem ter estudado todas as músicas, mesmo sem saber direito como chegar. “Falei: quer saber, eu vou mesmo assim.”

O que ela encontrou lá superou as expectativas. Não era só tocar junto. Era a simplicidade da equipe, o cuidado com as pessoas, a descontração misturada com um trabalho muito bem feito. Para ela, que via Jean como uma figura da internet, quase como um artista, a proximidade naquele dia foi marcante.

E foi nesse encontro que Eliana revelou, pela primeira vez ao vivo, um de seus chamados “poderes de X-Men”. Um detalhe que Jean prometeu explorar melhor ao longo da conversa.

Quando a pandemia virou ponto de virada

Com o fechamento das escolas em março de 2020, Eliana se viu sem aulas e sem saber o que fazer. Foi então que ela mergulhou de vez no conteúdo do Violino Didático e entrou para o programa de ensino online.

O que antes era assistido de forma aleatória passou a ser seguido com método. E foi esse caminho estruturado que ela disse ter feito diferença real na sua evolução.

A história de Eliana é a prova viva da mensagem que o Violino Didático carrega: todo mundo é capaz de aprender violino. Não importa a idade, o ponto de partida ou os obstáculos no caminho. O que importa é continuar.

Ouça o episódio completo no YouTube: ELIANA BARRETO - Podcast do Violino Didático #007

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