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Elias Altea: o brasileiro que aprendeu violino na França

Podcast Violino Didático

Elias Altea veio de Lyon, na França, até Cotia, interior de São Paulo, para uma conversa com Jean de Oliveira. A viagem durou 26 horas: Lyon, Amsterdam, Nova York e, finalmente, o Brasil. Tudo isso para sentar, contar sua história e mostrar que aprender violino com mais de 50 anos, do outro lado do mundo, é completamente possível.

Elias é um dos alunos do programa online do Violino Didático. Sua trajetória mistura música, fé, determinação e uma boa dose de desconfiança inicial com o que ele chamou, com bom humor, de “golpe”.

Quem é Elias Altea

Brasileiro que mora na França há mais de 20 anos, Elias trabalha em limpeza de escritórios. Com orgulho, ele conta que na Europa esse tipo de serviço é valorizado e bem remunerado. Os presidentes das empresas onde trabalha o cumprimentam pelo nome e perguntam como foi o fim de semana.

Mas a música sempre esteve presente na sua vida. Seu pai tocava violão desde solteiro, e a casa onde cresceu era cheia de som. Foi observando o irmão mais velho tocar eufônio, conhecido no Brasil como bombardino, que o gosto pela música nasceu nele.

Há 47 anos, Elias toca eufônio. Aprendeu junto com um grupo de três amigos, após o expediente e nos fins de semana. Em um ano, concluiu o método do instrumento e foi oficializado na orquestra da sua congregação religiosa.

A sensibilidade que poucos têm

Em um dos momentos mais encantadores da conversa, Elias descreveu como o irmão o fascinava com escalas cromáticas no eufônio. Ele comparou o som ao barulho de um copo sendo cheio de água, que vai subindo de tom à medida que o nível sobe.

Jean ficou impressionado. Pouquíssimas pessoas percebem esse detalhe acústico do cotidiano. Elias percebeu, ainda criança, brincando no chão. Já era, naquele momento, um ouvinte afinado.

O violino que ficou parado por anos

A vontade de aprender violino surgiu em Portugal, antes de se mudar para a França. Elias queria ensinar jovens da congregação que tinham interesse no instrumento. Ele não sabia nada de violino, conseguiu um emprestado e tentou algumas aulas, mas o deslocamento e os horários de trabalho tornaram tudo inviável.

Já na França, comprou um violino por 25 euros. O instrumento ficou parado em casa por dois anos. Ele pegava, não sabia afinar, não sabia por onde começar. O violino esperava.

Aí chegou a pandemia.

A madrugada em que tudo mudou

Com mais tempo em casa durante a pandemia, Elias foi pesquisar na internet. Encontrou um vídeo do Jean de Oliveira, lá de madrugada, no fuso horário francês. Assistiu. Viu as dicas sobre as fitinhas no braço do violino, depois ouviu o Jean dizer que não precisava delas. Ficou confuso, mas continuou assistindo.

Apareceu um desafio de 21 dias. Ele assistiu a todos os vídeos. No final, surgiu uma oferta de inscrição no programa. A tela pediu número de cartão de crédito. Elias pausou tudo e concluiu: era golpe.

Ele saiu. Não se inscreveu.

Mas continuou acompanhando de longe. Via outros alunos mandando vídeos, recebendo feedbacks, evoluindo. Dois meses depois, em maio de 2020, cedeu à “tentação” e se inscreveu. Como ele mesmo disse, com uma risada: “fugi, mas a tentação me chamou de volta”.

Meia-noite assistindo aulas ao vivo do Brasil

As aulas ao vivo aconteciam às 20h no horário de Brasília. Para Elias, era meia-noite em ponto. Ele foi mesmo assim, ou assistia à gravação no dia seguinte.

O processo de enviar vídeos para receber feedback foi tranquilo, segundo ele. No começo, havia demora na plataforma. Mas na época da entrevista, mandava o vídeo de manhã e tinha resposta à tarde, no mesmo dia. O professor que mais o atendeu foi o Eugênio, um dos instrutores do programa.

No momento da conversa com Jean, Elias estava na transição do terceiro para o quarto grau do método, trabalhando escalas na segunda posição.

Ensinar enquanto aprende

O que torna a história de Elias ainda mais especial é que ele não aprendeu só para si. Lá na França, ele coordena um grupo de 12 pessoas que estão aprendendo instrumentos: seis homens e seis mulheres. Ele ajuda os iniciantes com a postura, a forma de segurar o violino, os primeiros passos.

Sua esposa também é musicista. Ela tocava piano no Brasil, depois aprendeu clarinete, se oficializou em Portugal e agora é uma das primeiras clarinetistas da congregação na França, que só em 2024 abriu as portas para as mulheres participarem da orquestra. Ela é uma das melhores do grupo.

A família inteira vive rodeada de música. Um filho toca violino, outro toca flauta. O violino que Elias trouxe para a entrevista, aliás, era do filho.

Praticar às 6h da manhã para não incomodar ninguém

Elias trabalha à noite e de madrugada. Quando termina o expediente, por volta das 6h da manhã, vai para casa e, antes de dormir, pratica o violino. Esse é o horário que encontrou para não perturbar os vizinhos. À noite, seria impossível.

É um detalhe pequeno, mas diz muito sobre quem ele é: alguém que reorganiza a rotina inteira ao redor da música, sem reclamar, sem desistir.

O que a história de Elias nos ensina

Elias Altea começou do zero, adulto, em outro país, com horários difíceis e sem acesso fácil a um professor presencial. Aprendeu online, com consistência e paciência. Hoje ensina outros, pratica antes de dormir e carrega o violino nas viagens internacionais.

É exatamente esse tipo de história que o Violino Didático existe para contar. A de que qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, é capaz de tocar violino.

Ouça o episódio completo no YouTube: ELIAS ALTEA - Podcast do Violino Didático #045

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