Emmanuele Baldini: Spalla (concertmaster) da OSESP
Emmanuele Baldini ocupa uma das posições mais prestigiosas do mundo da música clássica brasileira: a de spalla da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP). Natural de Trieste, na Itália, ele integra a orquestra desde a abertura da temporada de 2005, acumulando duas décadas de contribuição ao mais alto nível.
Sua trajetória, contada em entrevista ao Podcast do Violino Didático, revela um músico formado nas melhores tradições europeias e completamente dedicado à música brasileira. Baldini é hoje uma figura central no cenário musical do país, atuando como violinista, regente, professor e produtor fonográfico.
Origens e formação europeia
Emmanuele Baldini nasceu em uma família de músicos em Trieste. Desde jovem, ingressou no Conservatório Giuseppe Tartini de sua cidade natal, na classe de Bruno Polli.
Em 1991, mudou-se para o Conservatório de Música de Genebra (CMG), onde estudou com Corrado Romano, violinista italiano discípulo de Carl Flesch e George Enescu. Lá, conquistou o 1º prêmio de virtuosidade no violino.
De volta à Itália, aprofundou seus estudos de música de câmara com Franco Rosse e com o histórico Trio di Trieste. Posteriormente, integrou a turma de Ruggiero Ricci na Universidade Mozarteum de Salzburgo, na Áustria.
Prêmios e reconhecimento internacional
Sua carreira de concertista ganhou forma rapidamente. Em 1992, conquistou o 1º prêmio do Forum Junger Künstler, em Viena. No ano seguinte, obteve o 3º lugar no Concurso Internacional de Violino Prêmio Rodolfo Lipizer, em Gorizia, na Itália.
Ao longo de sua carreira, acumulou mais de dez premiações como camerista, consolidando sua reputação tanto como solista quanto em conjuntos de câmara.
Carreira como spalla na Europa
Antes de chegar ao Brasil, Baldini acumulou experiências de alto nível em importantes orquestras europeias. Foi spalla da Orquestra do Teatro Lírico Giuseppe Verdi, de Trieste, de 1994 a 2004, e da Orquestra do Teatro Comunale di Bologna, de 1998 a 1999.
Atuou ainda como spalla convidado da Orquestra Sinfônica da Galícia, na Espanha, e como concertino convidado da Orquestra do Teatro alla Scala, de Milão, uma das mais famosas do mundo.
Trajetória como solista
Emmanuele Baldini interpretou os grandes concertos do repertório violinístico com orquestras de prestígio em vários países. Entre suas atuações, destacam-se o Concerto para Violino de Brahms e o de Mendelssohn com a Orquestra Filarmônica da Moldávia, o Concerto de Shostakovich com a Orquestra da Suíça Romanda, e o Concerto de Schumann com a Orquestra Sinfônica da Rádio de Berlim.
No Chile, interpretou Mozart com a Orquestra Filarmônica de Santiago. No Brasil, solou com todos os principais grupos sinfônicos do país. Realizou também apresentações na Austrália, nos Estados Unidos, na Turquia e em turnê pelo Japão.
Como camerista, dividiu o palco com nomes como os pianistas Maria João Pires, Jean-Philippe Collard, Nicholas Angelich, Arnaldo Cohen, Caio Pagano e Ricardo Castro, os violoncelistas Antônio Meneses e Silvia Chiesa, e o flautista Emmanuel Pahud.
Na OSESP: duas décadas como spalla
Desde 2005, Emmanuele Baldini lidera o naipe de violinos da OSESP como spalla. São mais de vinte anos conduzindo a orquestra em concertos de temporada, gravações e projetos especiais.
Entre suas memórias mais marcantes com a orquestra, ele recorda a apresentação de Uma Sinfonia Alpina Op. 64, de Richard Strauss, regida pelo britânico Frank Shipway em julho de 2010. A colaboração foi registrada no CD Richard Strauss: Eine Alpensinfonie Op. 64 (BIS, 2012).
Baldini é também professor da Academia de Música da OSESP, contribuindo para a formação das próximas gerações de músicos brasileiros.
Dedicação à música brasileira nas gravações
Com mais de 40 álbuns lançados por selos variados, Emmanuele Baldini tem dedicado atenção especial ao registro da música brasileira. Seu trabalho discográfico inclui sonatas para violino de compositores como Camargo Guarnieri, Cláudio Santoro, Heitor Villa-Lobos, além de obras de Velásquez e Miguez.
Entre os lançamentos mais recentes, destaca-se o álbum Almeida Prado: Works for Violin and Cello (Naxos, 2024), gravado com o violoncelista Rafael Cesário. Os registros foram produzidos em parceria com pianistas como Dana Radu, Karin Fernandes, Alessandro Santoro e Pablo Rossi.
A carreira na regência
Após anos de estudo com Isaac Karabtchevsky e Frank Shipway, Baldini lançou-se também como regente. Em pouco tempo, esteve à frente de orquestras como a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA), a Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA) e a própria OSESP.
Foi regente titular da Orquestra de Câmara de Valdivia, no Chile, de 2017 a 2020. Atualmente, ocupa a mesma posição na Orquestra Sinfônica do Conservatório Dramático e Musical Dr. Carlos de Campos de Tatuí. É também diretor musical da Orquestra Sinfônica de Ñuble, no Chile, e da Sphaera Mundi Orquestra, de Porto Alegre.
Recentemente, estreou com a Orquestra Filarmônica de Buenos Aires, no Teatro Colón, regendo e solando o Concerto para Violino nº 1 em Si Bemol Maior K. 207, de Mozart.
Festivais, rádio e ensino
Emmanuele Baldini foi professor e artista convidado do Festival Internacional de Música do SESC em Pelotas, entre 2011 e 2023, e participou de festivais como o Gramado in Concert, o Ilumina Festival e o Festival Virtuosi Rafael Garcia. Por mais de duas décadas, esteve presente no Festival de Inverno de Campos do Jordão.
É o idealizador e apresentador do programa semanal Contrastes, veiculado pela Rádio Cultura FM, iniciativa que aproxima o público da música de concerto.
Sua obra favorita são as óperas de W. A. Mozart, que interpretou inúmeras vezes, inclusive nas memoráveis montagens das três óperas italianas do compositor com a Orquestra do Teatro Comunale di Bologna, sob regência de Daniele Gatti.
Este perfil faz parte do trabalho do Violino Didático em mapear os grandes nomes do violino no Brasil. O Violino Didático é uma iniciativa de Jean de Oliveira, referência no ensino de violino a distância em língua portuguesa. Acompanhe o canal e siga nas redes sociais para conhecer mais histórias como a de Emmanuele Baldini.