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Felipe Porsebon: do coral da escola à orquestra sinfônica

Podcast Violino Didático

Felipe Porsebon é violinista da Orquestra Sinfônica de Piracicaba, professor em projeto social e um dos criadores de conteúdo sobre violino mais consistentes do Instagram brasileiro. Jean de Oliveira o recebeu em Cotia para uma conversa franca sobre trajetória, aprendizado e o poder das redes sociais para divulgar a música erudita.

A conversa fluiu com a naturalidade de quem já se conhecia pelas telas. Jean confessou de cara que acompanha o trabalho de Felipe e que a equipe do Violino Didático já colocou o perfil dele na lista de referências a observar. É um elogio raro, e sincero.

Uma família de músicos e a flauta doce como ponto de partida

Felipe cresceu em Piracicaba, numa família ligada à Congregação Cristã. Quase todo mundo ao seu redor tocava algum instrumento. O primeiro contato foi ainda em casa, com o pai, que ensinava flauta doce soprano e contralto para o filho em formato de dueta.

Na igreja, a lógica era simples: todo mundo tocava algo. Felipe tinha um tio violinista, com quem conviveu de perto, e foi por influência dele que o violino começou a aparecer no horizonte. Mas o primeiro professor de verdade foi o Márcio, amigo da família e voluntário na igreja, que já tocava em orquestra fora do ambiente religioso. Esse detalhe fez diferença: um professor que conhecia o mundo além das paredes da congregação.

Felipe tinha oito anos quando começou. Ele mesmo admite que não levava muito a sério naquela época. “Se for só pela gente mesmo, você vai levando”, disse Jean em resposta, lembrando que a seriedade precoce geralmente vem dos pais. No caso de Felipe, o pai cobrava estudo com firmeza: sem prática, sem jogar bola.

O coral como desculpa e a orquestra como virada

Ainda na escola pública, Felipe entrou no coral por um motivo honesto: era no horário de aula. Uma desculpa e tanto para faltar às aulas. Mas foi por ali que o mundo musical foi se abrindo.

Um projeto de flauta doce nas escolas públicas de Piracicaba rendeu a Felipe uma bolsa para estudar na Empen, a Escola de Música de Piracicaba Ernani Braga. Ao chegar lá e ver os colegas tocando violino na Orquestra Jovem, ele foi direto falar com o maestro: disse que já tocava violino e que conseguia tocar o que eles estavam tocando. O maestro pediu para ele aparecer no próximo ensaio com o instrumento. Felipe foi bem no teste e entrou na orquestra. Como spalla.

Piracicaba, como Jean observou, é uma cidade musicalmente rica, especialmente na música erudita. Ter aula de flauta doce com professor na escola pública, bolsa em escola de música e orquestra jovem não é a realidade da maioria das cidades brasileiras. Felipe reconhece isso.

A professora que abriu o horizonte profissional

A Empen foi vendida para a Unimep, a Universidade Metodista de Piracicaba, que cortou as bolsas de todos os alunos. Felipe ficou sem aula. Foi então que Dona Cidinha, esposa do fundador Ernani Braga, soube da situação e entrou em contato: indicou Maria Lúcia Krug, mãe da violinista Maria Fernanda Krug.

Foi Maria Lúcia quem mudou o rumo da história. Ela foi a primeira pessoa a dizer a Felipe, de forma clara, que era possível ganhar dinheiro com o violino. Que existia um mundo profissional. “Não fazia ideia”, disse Felipe. Até então, o violino era algo que se fazia, mas não necessariamente algo que virava profissão.

Pouco depois de começar as aulas com ela, Felipe foi convidado para a Orquestra Jovem de Paulínia, regida pelo violista Eduardo Belo. Ele tinha treze anos e recebia trezentos reais por participação. Para a época e para a idade, era dinheiro de verdade.

O Instagram como extensão da sala de aula

A presença de Felipe nas redes sociais começou de forma simples: um desafio de cem dias de prática, postando todos os dias para se manter disciplinado. Sem grande estratégia, sem intenção de vender nada. Só a vontade de estudar e a câmera do celular como testemunha.

O que veio depois foi surgindo aos poucos. Felipe começou a perceber que seus alunos do projeto social não conheciam nomes fundamentais da história do violino. Heifetz, Milstein, Oistrakh: ninguém sabia quem eram. Isso o incomodou. E o levou a começar a postar pequenos vídeos sobre grandes violinistas, apresentando trechos e contextualizando quem eram essas pessoas.

Jean trouxe um ponto interessante sobre o formato de react, algo que Felipe chegou a fazer e depois reduziu. A lógica das redes, segundo Jean, é que aparecer, mesmo sem falar nada, já gera engajamento. Os comentários negativos funcionam da mesma forma que os positivos para o algoritmo. Felipe já tem alguns haters, como ele mesmo disse com bom humor. E Jean foi direto: hater é sinal de crescimento.

Piracicaba e o projeto que Felipe carrega com orgulho

Hoje, além da Orquestra Sinfônica de Piracicaba, Felipe atua como músico convidado em outras orquestras do interior de São Paulo, como Campinas, Rio Claro e Americana. Dá aulas na Escola de Música Ernani Braga, a mesma onde estudou, e participa do projeto Academia Jovens Músicos, onde rege uma orquestra de violino.

Foi exatamente nesse projeto que a necessidade de falar sobre os grandes violinistas ficou mais clara para ele. Levar os alunos para assistir a um concerto com um violinista histórico, e descobrir que nenhum deles sabia quem era aquela pessoa: esse foi o estopim.

O conteúdo do Instagram de Felipe nasceu dessa inquietação de professor. É um criador de conteúdo porque é, antes de tudo, um educador.


Ouça o episódio completo no YouTube: FELIPE PORSEBON - Podcast do Violino Didático #119

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