Galina Rakhimova: Viola da OSESP
Galina Rakhimova integra o naipe de violas da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP) desde 18 de junho de 2002. Natural de Sverdlovsk, atual Ecaterimburgo, na Rússia, ela percorreu um longo e sólido caminho musical antes de chegar ao Brasil.
Sua trajetória combina uma formação rigorosa nos conservatórios russos com uma vivência orquestral intensa. Hoje, é parte fundamental de uma das mais importantes orquestras do continente americano.
Formação: dos Urais a Moscou
Galina iniciou seus estudos na Escola Especial de Música do Conservatório Estatal dos Urais Mussorgsky, em Ecaterimburgo. Começou na classe de violino, sob orientação de Tatyana Tonkikh, antes de migrar para a viola, na classe de Valery Averin.
Em 1995, ingressou no renomado Conservatório Estatal de Moscou P. I. Tchaikovsky. Lá, foi orientada por Alexander Bobrovsky, aprofundando sua técnica e musicalidade em um dos centros mais exigentes do mundo para a formação de instrumentistas de cordas.
Experiência orquestral e camerística na Rússia
Ainda durante sua formação, Galina integrou a Orquestra de Câmara da Escola Especial do Conservatório Mussorgsky. Com esse grupo, realizou turnês pela Áustria, Suécia e União Soviética, além de participações em festivais e gravações para rádio e televisão.
Sua experiência camerística também foi ampla. Ela fez parte de um quarteto de cordas e da Orquestra Sinfônica Popular Filarmônica Infantil. Apresentou-se com grupos de câmara nas principais salas de Moscou, incluindo o Grande Salão do Conservatório de Moscou, um dos palcos mais prestigiados da música clássica mundial.
Chegada à OSESP e uma turnê histórica
Galina ingressou na OSESP em 2002, e o início de sua trajetória na orquestra foi imediatamente marcado por um momento histórico. Ainda naquele ano, participou da primeira turnê da orquestra pelos Estados Unidos, sob a regência de John Neschling.
Foram 20 apresentações em 18 cidades americanas, uma agenda que demonstrava a crescente projeção internacional da OSESP. O ponto alto da turnê foi o concerto no Avery Fisher Hall, no Lincoln Center, em Nova York, onde a orquestra recebeu ovações entusiasmadas do público americano.
Esse episódio permanece entre as memórias mais marcantes da violista. É um testemunho do impacto que a OSESP já exercia além das fronteiras do Brasil naquele período.
Repertório favorito: Shostakovich
Entre as obras de sua predileção, Galina destaca dois títulos de Dmitri Shostakovich: o Quarteto de Cordas nº 8 em dó menor e a Sinfonia nº 4 em dó menor. A escolha revela uma afinidade com o universo expressivo e denso do compositor russo, muito presente também na tradição musical dos conservatórios onde ela se formou.
A preferência por Shostakovich é, ao mesmo tempo, uma marca de identidade artística e um vínculo com suas raízes culturais russas.
Além da viola: o crochê como arte paralela
Fora dos palcos, Galina dedica parte de seu tempo a uma atividade criativa bastante distinta: a confecção de peças em crochê. Ela cria peças exclusivas a partir de modelos desenvolvidos pelos melhores designers russos.
Essa dimensão artesanal revela uma personalidade criativa que vai além da performance musical. É uma forma de manter vivos laços com a cultura de seu país de origem, ao mesmo tempo que desenvolve uma habilidade completamente diferente da prática orquestral.
Uma carreira construída com consistência
Mais de duas décadas na OSESP constituem, por si só, um testemunho de dedicação e excelência. Galina Rakhimova chegou ao Brasil com uma sólida bagagem construída nos conservatórios russos e seguiu contribuindo para um dos projetos orquestrais mais ambiciosos da América do Sul.
Sua presença no naipe de violas da OSESP é parte de uma história coletiva que une músicos de diferentes países em torno de um projeto artístico comum.
Este perfil faz parte do trabalho do Violino Didático em mapear os grandes músicos de orquestra no Brasil. O Violino Didático é uma iniciativa de Jean de Oliveira, referência no ensino de violino a distância em língua portuguesa. Conheça o canal, acompanhe o podcast com mais de 137 episódios e siga nas redes sociais para mais conteúdos sobre o universo do violino e da música de câmara.