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Gustavo Fernandes: a história do Cello Didático

Podcast Violino Didático

Gustavo Fernandes é professor de violoncelo, criador do Cello Didático e tem mais de 200 alunos em seus programas online. Mas antes de tudo isso, ele passou pelo violino, pelo saxofone e por um mestrado no Canadá. A trajetória dele é uma daquelas histórias que mostram como o instrumento certo nem sempre é o primeiro que a gente experimenta.

Jean de Oliveira recebeu Gustavo em mais um episódio do Podcast do Violino Didático, e a conversa foi cheia de momentos curiosos, divertidos e inspiradores. Da timidez de ligar uma câmera ao canal que nasceu ao vivo na internet, há muito o que contar.

O canal que nasceu numa live do Violino Didático

O nome Cello Didático não surgiu de uma reunião de marketing. Surgiu dos próprios espectadores do Violino Didático, que perguntaram: se existe o violino didático, por que não tem um cello didático?

Em 28 de abril de 2018, Jean fez uma live no canal do Violino Didático e ali mesmo, ao vivo, o Cello Didático nasceu. A coincidência vai além: essa é a mesma data de aniversário do Violino Didático, só que alguns anos depois. Segundo Gustavo, ninguém programou isso. A descoberta veio meses depois, por acaso.

Jean havia incentivado Gustavo por meses antes disso acontecer. A timidez era o principal obstáculo. Olhar para uma câmera, gravar, aparecer: tudo isso era difícil para quem sempre preferiu ficar fora dos holofotes. Mas chegou um ponto em que Gustavo sentiu que não dava mais para não começar.

Gravar tudo de uma vez, sem edição

Os primeiros vídeos do Cello Didático foram editados pelo editor do Violino Didático, o Guilherme. Depois disso, o canal ficou parado por cerca de seis meses. Gustavo confessa que chegou a esquecer que tinha um canal no YouTube.

Quando voltou a postar, já estava no Canadá fazendo o mestrado em performance de violoncelo. Entrava numa sala de estudo da universidade, colocava o celular na estante de partitura e gravava. Sem edição elaborada: só um corte no início e outro no final.

Ele desenvolveu um método bem particular para driblar a edição. Enquanto o Violino Didático trabalha com vários cortes e inserções, Gustavo simplesmente gravava tudo de uma vez. Se errava, gravava de novo do início. Sem pausa, sem corte no meio. Uma tomada só.

Ele mesmo admite: foi mais preguiça de editar do que qualquer outra coisa. Mas funcionou.

Violino, saxofone e um violoncelo que ninguém esperava

A história musical de Gustavo começa como a de muita gente: flauta doce na iniciação infantil. Depois veio o violino, por volta dos 7 ou 8 anos, em aulas na igreja. Ele chegou a tocar em orquestra e tem gravações da época, pequenininho com o instrumento.

Mas algo não encaixava. Dentro da orquestra, ele foi conhecendo outros instrumentos e se encantou com o saxofone. Sim, o saxofone. Ele próprio antecipa a reação das pessoas e garante que não tem nada contra o instrumento. Ficou uns três anos tocando sax, inclusive migrando do alto para o tenor, porque sempre teve preferência pelos sons graves.

Foi aí que o violoncelo entrou na história. A tia de Gustavo tocava violoncelo na mesma orquestra. Nos ensaios, ele começou a reparar naquele som grave e encorpado. Foi se encantando aos poucos, de forma discreta.

Ele começou a estudar violoncelo sem avisar ninguém na orquestra. Sua família sabia, mas os outros músicos, não. Um ano depois, ele apareceu no ensaio com o instrumento, sentou ao lado da tia e começou a tocar. Ninguém esperava. O impacto foi real, mesmo sem ter sido planejado.

Ele tinha entre 12 e 13 anos, e já começou com o violoncelo em tamanho inteiro.

Do mestrado no Canadá ao ensino online no Brasil

O Cello Didático nasceu no mesmo ano em que Gustavo foi ao Canadá para o mestrado. Ele estava fora da zona de conforto: outro país, outra língua, outro ambiente. Isso, curiosamente, o encorajou a experimentar coisas novas.

Hoje, o trabalho de Gustavo é quase inteiramente voltado ao ensino. Ele tem uma mentoria online, um curso com mais de 200 alunos e uma classe presencial de violoncelo na sede da Igreja Deus e Amor, em São Paulo. Tocar em eventos ainda faz parte da rotina, mas representa menos de 5% do que ele faz.

O canal que nasceu tímido, com vídeos editados pelo celular e meses de silêncio, virou uma escola de violoncelo online de verdade.

Uma conversa que vai além do instrumento

O papo entre Jean e Gustavo tem aquela leveza de duas pessoas que se conhecem há anos e se respeitam muito. Eles recordam detalhes que só quem viveu sabe, como a data exata em que o canal foi criado, o editor que fez os primeiros vídeos e os meses de silêncio que vieram depois.

A história do saxofone virou um momento de muita risada. Gustavo ainda tem o sax alto em casa, mas confessa que faz uns quatro ou cinco anos que não o toca. Ele usa como decoração. Jean e a professora Amanda Matias tentaram convencê-lo a gravar um vídeo. Gustavo ficou tentado.

No meio da conversa, surgiu até um meme: Goku treinou 158 dias em Namekusei e não postou nada. Gustavo estudou violoncelo por um ano em segredo e não postou nada. Coincidência ou método?

O que fica da conversa é a sensação de que grandes projetos muitas vezes começam com timidez, preguiça de editar e um amigo insistindo do outro lado. O Cello Didático é prova disso.

Ouça o episódio completo no YouTube: CELLO DIDÁTICO - Podcast do Violino Didático #046

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