João Kentaro: elegância, fé e violino aos 21 anos
Aos 21 anos, João Kentaro já carrega uma história que impressiona. Violinista da Congregação Cristã no Brasil, professor, músico de eventos e referência para quem o vê tocar, ele chegou ao Podcast do Violino Didático com aquela elegância que Jean de Oliveira admira desde que o conheceu pessoalmente.
A conversa foi uma dessas que começa no violino e acaba revelando muito mais: família, fé, pedagogia e a beleza de crescer dentro de uma tradição musical sólida.
Uma família de músicos e um violino parcelado em muitas vezes
João cresceu em berço musical. Seu pai toca sax barítono na CCB, seus tios e primos também são músicos da congregação. Desde cedo, ele acompanhava o pai nos cultos, sentado ao lado enquanto a orquestra tocava.
Com 6 anos, começou a estudar música na congregação. Com 7, já queria aprender todos os instrumentos que via: violoncelo, clarinete, trombone de vara. Até que o violino entrou em cena e a escolha foi feita.
Sua avó, com o carinho que só vó tem, foi até a loja e parcelou um violino. Uns R$ 600 de quinze anos atrás, divididos em muitas prestações. João mostrou esse instrumento no Instagram recentemente: está todo pelado, sem peças, porque ele foi doando cada parte com o tempo. Uma relíquia afetiva.
O caminho pela teoria e a chegada ao instrumento
Na CCB, o ensino musical sempre seguiu uma estrutura própria. João passou pelo Bona Verde, método que sucedeu o Bona Branco, e fez toda a teoria em um ano, o que ele mesmo reconhece como algo rápido e até incomum.
Depois veio o MTS, o método azul, que Jean também chegou a conhecer. Hoje a congregação usa o MSA, o Método Simplificado de Aprendizagem. Cada fase foi enxugando o que não era necessário e incorporando o que o tempo mostrou ser mais eficiente.
João levou três anos para chegar aos ensaios, o espaço onde os músicos tocam juntos os hinos. Antes disso, é preciso cumprir o chamado programa mínimo: uma espécie de validação do que foi aprendido antes de tocar nos cultos e ser oficializado como músico da congregação.
O debate sobre teoria antes do instrumento
Essa parte da conversa ficou bem honesta. Jean trouxe uma crítica que costuma fazer: passar um ou dois anos estudando só teoria, sem tocar o instrumento, desanima e afasta muita gente.
João concordou com a essência da crítica, mas trouxe a perspectiva de quem viveu por dentro. Para ele, o dinamismo é necessário e a própria CCB tem buscado isso ao longo dos anos. Métodos foram atualizados, conteúdos foram revisados, e o ensino foi se tornando mais ágil.
Jean lembrou inclusive de uma aluna sua, Joelma, membro da congregação, que o alertou: parte das críticas já não reflete a realidade atual. O problema, como Jean mesmo resumiu bem, é que entre a mudança no papel e a mudança na sala de aula, passam gerações. O instrutor aprendeu de um jeito e tende a ensinar do mesmo jeito.
Os dois concordaram num ponto importante: a CCB formou, e continua formando, alguns dos maiores violinistas brasileiros. Mas isso se explica, em boa parte, pela quantidade de pessoas que passam pelo ensino musical da congregação, não necessariamente apenas pela metodologia. Quando você forma dezenas de milhares de alunos, os grandes talentos aparecem.
Do daycare na Oliver Springs ao podcast
Jean e João se cruzaram pela primeira vez num evento organizado na Oliver Springs, loja especializada em instrumentos de cordas em São Paulo. João promoveu um dia de ajustes para instrumentos, um cuidado com cavalete, alma, cordas, o que cada violino precisasse.
Alguém da loja avisou Jean que ele estaria lá. Jean pesquisou o perfil, viu uma quantidade de seguidores que chamou a atenção e foi pessoalmente. Ao ouvir João tocar ao vivo, a impressão foi imediata: toca muito bem, com uma elegância que vai além do que a congregação entrega sozinha.
Foi ali que Jean decidiu que João precisava estar no podcast.
Ensinar a louvar com o violino
João define seu propósito de forma simples e direta: ensinar as pessoas a louvarem a Deus de uma forma melhor com o violino. Ele dá aulas dentro da congregação e também aulas particulares para quem quiser aprender fora desse contexto.
Aos 21 anos, ele já pensa no ensino com maturidade de quem viveu o processo completo: aprendeu a teoria cedo, levou tempo até tocar nos ensaios, e hoje quer que seus alunos percorram esse caminho com mais fluidez do que ele teve.
A curiosidade, palavra que ele mesmo usou sem falsa modéstia, sempre foi o motor. Querer aprender todos os instrumentos, ir além do que a congregação oferecia, buscar referências fora, construir uma presença digital relevante. Tudo isso aos 21 anos.
Uma conversa sobre violino que acabou sendo, no fundo, sobre tradição, renovação e o que acontece quando um jovem talentoso cresce dentro de uma grande escola musical sem se limitar a ela.
Ouça o episódio completo no YouTube: JOÃO KENTARO - Podcast do Violino Didático #127