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Lucas da Paz: violoncelo, histórias e redes sociais

Podcast Violino Didático

Lucas da Paz é, na opinião de Jean de Oliveira, o maior contador de histórias de música erudita nas redes sociais brasileiras. A afirmação pode parecer ousada, mas quem já cruzou com o perfil de Lucas no Instagram entende rapidamente o motivo. Ele combina profundidade musical, carisma e uma habilidade rara de transformar assuntos complexos em narrativas cativantes.

No episódio 105 do Podcast do Violino Didático, Jean recebeu Lucas para uma conversa longa, honesta e cheia de momentos memoráveis. O resultado foi uma das entrevistas mais animadas da história do podcast.

De onde veio esse contador de histórias

Lucas começou a postar conteúdo sobre música erudita em maio do ano anterior à gravação. Em pouco tempo, construiu uma comunidade engajada e fiel. Jean foi direto: o trabalho de Lucas é tão bem estruturado, tão pensado, que ele deveria considerar ensinar outros músicos a fazer o mesmo.

O próprio Lucas admitiu ter pensado nisso. Chegou a cogitar um curso sobre crescimento nas redes sociais, não sobre música em si, mas sobre como chegar ao patamar que ele alcançou. Hesitou, com medo de soar arrogante. Jean rebateu com uma lógica simples: qualquer pessoa que faz sucesso vai ter quem a critique. Não há como agradar a todos, e tentar fazer isso é uma batalha perdida.

Para ilustrar o ponto, Lucas contou a história do seu “hater favorito”. Um violoncelista de Brasília que comenta seus vídeos de forma agressiva, frequentemente sem nem assistir até o final. Em um episódio clássico, o crítico atacou um vídeo sobre canhotos e violoncelo sem perceber que a conclusão do vídeo contrariava exatamente o argumento que ele queria rebater. Lucas respondeu publicamente, com bom humor e sem perder a compostura. Um amigo sintetizou bem a situação: era um pet. Lucas concordou.

A viagem mais épica (e caótica) da vida

Antes de mergulharem nos assuntos musicais, Jean perguntou sobre a viagem de Lucas até Cotia. A resposta virou um dos momentos mais hilários e absurdos da conversa.

Tudo começou em Curitiba. Lucas tinha um show em Poços de Caldas e um roteiro minuciosamente calculado: partir às 23h30, chegar a São Paulo de manhã cedo, pegar outro ônibus e chegar ao destino às 13h. Dezoito horas de viagem no total.

O primeiro problema surgiu ainda na calçada. O motorista do Uber que ele chamou se recusou a levá-lo, e antes que Lucas pudesse perguntar o motivo, o carro deu ré e o atropelou. O ombro deslocou. Lucas, com uma rapidez que ele mesmo reconheceu como fora do comum, foi até uma parede e encaixou o ombro de volta no lugar. Tomou um analgésico, chamou outro Uber e foi em frente. Para piorar, ao entrar no segundo carro, o motorista que o havia atropelado passou do outro lado da rua, abaixou o vidro e xingou.

Na rodoviária, o próximo capítulo: o funcionário responsável pelo bagageiro insistiu em colocar o violoncelo em cima do motor do ônibus. Isso já havia acontecido antes, e o resultado tinha sido catastrófico. O instrumento abrira literalmente por causa do calor, a cola animal que mantém um violoncelo profissional unido simplesmente derreteu. Lucas foi firme, e o motorista do ônibus acabou intervindo, oferecendo um espaço especial no bagageiro.

Mas o perrengue não acabou. Já dentro do ônibus, onde Lucas havia comprado uma cama para viajar deitado, o motorista pediu que ele cedesse o lugar para uma criança sentar ao lado do amiguinho. Lucas foi parar no corredor, na frente da luz da escada, sem ar condicionado, com o ombro doendo. Viajou a noite inteira sem dormir.

Ao chegar em São Paulo de madrugada, foi direto gravar um vídeo num piano abandonado na rodoviária do Tietê. Uma senhora interrompeu a gravação para falar de política. O técnico de som no show, mais tarde, jogou um monte de cabos no palco e disse “tem cabo aí se precisar” antes de ir embora. Lucas tocou o show assim mesmo.

Músico, criador de conteúdo e muito mais

Jean tentou resumir quem é Lucas para quem nunca havia ouvido falar dele. A comparação que surgiu foi com Rodrigo Hilbert: aquele tipo de pessoa que parece capaz de fazer tudo muito bem. Lucas toca violoncelo, produz conteúdo, costura, cozinha, faz bonecos, cuida de aquário. A lista cresce a cada episódio.

Na conversa, ficou claro que Lucas tem uma parceria sólida com Nana, que ele descreveu como uma espécie de vereadora da vida dele: conhece todo mundo e resolve tudo. Ela praticamente ampliou o círculo social de Lucas, que se define como antissocial fora do ambiente musical.

Ainda em São Paulo antes de chegar a Cotia, Lucas gravou conteúdos com Lari, uma violinista com presença forte no TikTok, e tinha planos de gravar também com Leete, uma baixista, e Tom, outro baixista. Jean brincou que a vida social de Lucas era basicamente frequentar o mundo da “baixaria”.

Intencionalidade como diferencial

Na reta final desse trecho da conversa, Jean tocou no ponto que, para ele, explica o sucesso de Lucas: intencionalidade. Tudo que aparece no Instagram de Lucas foi pensado, planejado, construído com propósito. Não é acidente. Não é sorte.

Essa característica, segundo Jean, é rara entre músicos. A maioria tem talento, mas poucos transformam esse talento em presença consistente e estratégica nas redes. Lucas parece ter entendido desde cedo que conteúdo de qualidade não basta: é preciso saber contar a história certa, da forma certa, para a pessoa certa.

A conversa ainda tinha muito mais pela frente. Mas já nessa abertura, ficou evidente por que Jean considerou a presença de Lucas um “prazer inenarrável”.

Ouça o episódio completo no YouTube: LUCAS DA PAZ - Podcast do Violino Didático #105

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