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Nicole Reis: violino, gestão e o Guri que nunca para de crescer

Podcast Violino Didático

Nicole Reis não é um nome que aparece nos holofotes dos palcos. Mas é um nome que aparece em planilhas, em processos seletivos, em reuniões com supervisores e na vida de mais de 150 professores de cordas espalhados pelo estado de São Paulo. Ela é coordenadora pedagógica da área de cordas friccionadas do Guri, uma das maiores instituições de ensino musical do Brasil.

Na conversa com Jean de Oliveira, Nicole chegou com uma dúvida simples: para onde olhar durante a gravação. Mas o papo que se seguiu foi bem mais complexo e revelador do que qualquer câmera poderia capturar.

Quem é Nicole Reis

Nicole é violinista, professora e, agora, coordenadora. Antes de assumir o cargo de gestão, ela passou dez anos como professora do próprio Guri. A transição para a coordenação aconteceu por um processo seletivo, quando seu chefe foi promovido e a vaga abriu.

Ela fez duas provas: uma para a vaga da capital e outra para a do interior. Foi aprovada nas duas. A instituição optou por alocá-la no contrato do interior. Mas com o tempo, seu escopo cresceu. Hoje ela coordena tanto capital quanto interior, litoral e Fundação Casa.

Além do trabalho no Guri, Nicole está se preparando para ingressar no doutorado. Ela descreve isso como um sonho que deseja muito realizar nos próximos anos. E garante que, no meio de tudo isso, ainda encontra tempo para estudar violino em casa.

O que faz uma coordenadora de cordas de uma instituição com 400 polos

Com bom humor, Nicole respondeu a essa pergunta com uma só palavra: planilhas.

Mas a resposta real é muito mais rica. O Guri tem hoje mais de 400 polos espalhados pelo estado de São Paulo, todos coordenados pela sede localizada na EMESP, a Escola de Música do Estado de São Paulo. A estrutura é dividida em 11 regionais, cada uma com supervisores que visitam os polos presencialmente ao menos uma vez por semestre.

A Nicole fica um degrau acima. Ela trabalha diretamente com os supervisores, orienta estratégias, acompanha dificuldades dos educadores e pensa nas formações de equipe. Compras de instrumentos, acessórios e contato com luthiers também passam, de alguma forma, pela sua mesa.

Jean provocou: em estruturas tão grandes, muita coisa se perde no caminho. O famoso telefone sem fio. Nicole concordou, sem desviar da pergunta. Ela reconhece que existem vínculos que não se criam nesse modelo. E que há coisas que se perdem, sim. Mas também vê os prós: a escala do projeto só é possível com esse tipo de organização.

Uma das formas que ela encontrou de humanizar a gestão foi simples: pede para os supervisores trazerem fotos dos educadores quando vão aos polos. Colocar rosto em nome. Saber quem é aquele professor que aparece no relatório.

De professora a coordenadora: o que muda na visão

Jean quis saber o que muda na perspectiva de quem estava na ponta, como professor, e passa a ver a máquina por dentro. Nicole refletiu com honestidade.

Ela disse que, se voltasse hoje para uma sala de aula de ensino coletivo, faria diferente uma coisa específica: a postura de educador regente. Em vez de tocar junto com os alunos o tempo todo, ela aprendeu a valorizar o momento em que o professor está à frente da turma, regendo enquanto os alunos tocam.

Essa diferença, que pode parecer pequena, muda bastante a dinâmica do aprendizado coletivo. E é o tipo de detalhe que só aparece quando você para, observa e troca com outros professores.

Padronizar ou não padronizar: essa é a questão

Jean foi direto: com 400 polos, existe um padrão de aula?

Nicole foi igualmente direta: não, e isso é uma escolha. A proposta da Santa Marcelina, que gere os polos, é respeitar a individualidade de cada educador. A ideia não é que todos façam o mesmo exercício da mesma forma. É que cada professor possa imprimir algo de si nas aulas, desde que o resultado seja bom para aqueles alunos específicos.

Mas Jean não deixou passar. E se o professor faz algo que simplesmente não funciona? Nicole respondeu que é para isso que existem as formações. Os encontros servem justamente para que os professores mostrem suas práticas, recebam devolutivas e troquem experiências entre si. O processo é mais de orientação do que de fiscalização.

Ela fez questão de dizer que se sente suspeita ao falar, mas que tem muito orgulho da equipe que coordena. Para ela, o fato de muitos desses professores buscarem cursos como os do método Suzuki ou os do professor José Márcio já diz muito sobre o comprometimento deles com o ensino.

O Guri, a música e o que está em jogo

O Guri é uma das maiores iniciativas de educação musical do país. Mais de 400 polos, mais de 150 professores só na área de cordas, 11 regionais, sede na EMESP. São números que impressionam qualquer um.

Mas o que Nicole traz para a conversa é o lado humano dessa estrutura. A dificuldade de conhecer o rosto de cada professor. O prazer de reconhecer alguém num curso de formação. A satisfação de ver que aquela pessoa está ali porque quer ensinar melhor.

Ela representa, à sua maneira, algo que o Violino Didático sempre defendeu: que o violino vai muito além do palco. Que ele está nas escolas, nos projetos sociais, nas salas improvisadas, nos professores que aparecem nos polos semana após semana.

E que há pessoas que trabalham nos bastidores para que tudo isso continue funcionando.

Ouça o episódio completo no YouTube: NICOLE REIS - Podcast do Violino Didático - Ep.141

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