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Patricia de Martin: violino, fé e recomeço aos 50 anos

Podcast Violino Didático

Patricia de Martin mora nos Estados Unidos há mais de 20 anos, na cidade de Canérica. Ela é aluna do programa online do Violino Didático e, em determinado momento, resolveu cruzar o oceano para conhecer pessoalmente o professor Jean de Oliveira em Cotia, São Paulo. Afinal, queria ter certeza de que o holograma era fidedigno.

A conversa que se seguiu foi leve, honesta e cheia de momentos que muita gente que aprende violino na vida adulta vai reconhecer de imediato.

A música começou na igreja

Patricia não chegou ao violino de maneira direta. Antes, cantava no coral da igreja, tocou flauta, estudou piano. Cada instrumento deixou uma marca, mas nenhum deles trouxe aquela sensação específica que ela buscava.

Ela explica de forma simples: queria uma coisa que fosse só dela, que ela pudesse tocar sozinha, sem depender de um coro ou de uma partitura compartilhada. Quando está estressada, toca. E chega ao fim do estudo mais calma do que quando começou.

Essa relação terapêutica com o instrumento foi se construindo aos poucos. No começo, era frustração. Hoje, é descanso.

O momento que acendeu a chama

O estopim veio de onde menos se esperava. Patricia trabalha como babá nos Estados Unidos, e a criança que ela cuidava tinha aulas de violino na escola. A menina de 7 anos pegava o instrumento de qualquer jeito, sem muita técnica, mas o som saía.

Patricia olhou para aquilo e pensou: se uma criança com 15 ou 20 colegas de sala consegue tirar algum som, será que eu também não consigo?

Essa pergunta a levou a procurar um professor particular. As primeiras aulas foram, nas palavras dela: terríveis. A posição do braço, a estranheza anatômica do violino, a sensação de que o corpo não colabora. Mas ela não desistiu.

Quatro anos de aulas particulares e então veio a pandemia

Patricia estudou com um professor americano por cerca de três a quatro anos. Trinta minutos por semana, uma vez por semana. O sistema era claro: o professor passava o conteúdo, ela estudava, voltava e mostrava o que havia praticado.

Depois ela descreveu algo que Jean também reconheceu: havia uma diferença entre o professor que toca muito bem e o professor que realmente vive para ensinar. O dela tocava excelente, mas ela sentia que a atenção tinha um limite.

Aí chegou a pandemia, as aulas presenciais acabaram, e o professor ofereceu continuidade pelo Zoom. Patricia, que se descreve como meio fora da internet, recusou. Zoom parecia complicado demais.

O desespero que a trouxe ao Violino Didático

Um ano sem tocar foi o suficiente. O desespero de ficar sem estudar violino foi maior do que o medo da tecnologia.

Ela foi atrás de alternativas na internet, pediu ajuda para entender como funcionava a plataforma e acabou se inscrevendo no programa do Violino Didático, na época hospedado na Hotmart. Tudo isso com 56 anos e uma relação ainda bem distante de computadores e plataformas digitais.

O curioso é que ela havia recusado continuar as aulas pelo Zoom, mas acabou ingressando em um curso completamente online. A diferença, ela explica, estava em outra coisa: tinha curiosidade de saber o que um professor brasileiro ensinaria de diferente em relação ao que ela já havia aprendido com um americano.

Aprender violino é uma lição de humildade

Jean trouxe à conversa uma observação de outro episódio do podcast, com o violinista Vini Mendes: aprender violino ensina a ser humilde. Você quer controlar o mínimo dedinho e ele simplesmente não obedece.

Patricia concordou com a cabeça e com a experiência. Ela descreveu bem esse conflito interno: você já sabe o que precisa fazer, sabe que tem que manter o cotovelo aberto, o braço na posição certa, segurar o arco de determinada forma. Mas saber não é o mesmo que conseguir.

Ela foi entendendo que seguir a receita com os ingredientes certos era o único caminho. E que demorar não era fracasso, era parte do processo.

Como ela usa o suporte de vídeo do programa

No programa do Violino Didático, os alunos enviam vídeos tocando para professores como Igor e Eugênio, que respondem com correções específicas. Patricia contou como foi ajustando essa dinâmica ao longo do tempo.

No começo, ela gravava várias vezes até sair certo, então enviava. Depois percebeu que isso atrapalhava: o professor precisava ver a realidade do estudo dela, não a versão ensaiada ao máximo.

Mudou a abordagem. Passou a enviar o que realmente estudou naquela semana, uma vez por semana, e a assistir o próprio vídeo antes de mandar. Jean sugeriu durante a conversa uma prática interessante: gravar três vezes e mandar a do meio, nem a pior nem a melhor, porque provavelmente é a que mais reflete a realidade.

Ele também falou sobre usar a gravação como um jogo de percepção: assistir ao vídeo, anotar o que você acha que o professor vai corrigir, enviar assim mesmo e comparar depois com o retorno recebido. Com o tempo, você vai acertando cada vez mais o que precisa ser trabalhado. Isso é, aos poucos, desenvolver independência.

Quase 57 anos e nenhuma desculpa

Quando Jean perguntou a idade, ela respondeu sem hesitar: vai fazer 57. E a forma como disse carrega muito sobre quem ela é.

Não há romantização excessiva nem queixa. Há uma mulher que foi atrás de algo que queria, enfrentou tecnologia desconhecida, atravessou um processo longo de adaptação e segue estudando. O violino ainda a desafia, ela ainda briga consigo mesma às vezes, mas não consegue mais viver sem a música.

Essa é a história de Patricia de Martin: simples, real e cheia do tipo de coragem silenciosa que move quem decide aprender algo novo sem se importar com o tempo que vai levar.

Ouça o episódio completo no YouTube: PATRICIA DE MARTIN - Podcast do Violino Didático #053

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