Peter Pas: Viola concertino da OSESP
Peter Pas é uma das presenças mais duradouras e marcantes no naipe das violas da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP). Canadense de origem, ele integra a orquestra desde maio de 1998, acumulando mais de duas décadas de contribuição artística ao conjunto paulistano.
Sua trajetória percorre instituições de prestígio na América do Norte, com formação sólida tanto no Canadá quanto nos Estados Unidos. Além de intérprete, Pas atua como professor e membro de câmara, tornando-se uma figura plural no cenário musical brasileiro.
Formação: de Saskatchewan a Yale
Peter Pas iniciou seus estudos na Universidade de Saskatchewan, em Saskatoon, cidade no centro do Canadá. Em 1990, cruzou a fronteira rumo aos Estados Unidos em busca de aperfeiçoamento.
Na Universidade de Indiana, estudou com Atar Arad, um dos grandes pedagogos de viola do século XX. Na sequência, passou pela Universidade Yale, onde trabalhou com Jesse Levine. Teve aulas ainda com Csaba Erdélyi, Gerald Stanick, Karen Tuttle, Rivka Golani e Stephen Kondaks, ampliando sua visão técnica e musical.
Prêmios e primeiras posições
Ainda jovem, Pas demonstrava talento acima da média. Aos 17 anos, já ocupava a posição de primeiro violista na Orquestra Sinfônica de Saskatoon (SSO), feito notável para um músico nessa faixa etária.
Venceu o concurso de viola promovido pela Universidade de Indiana e acumulou diversos prêmios no Canadá. Foi viola solista da Yale Philharmonia, da Bloomington POPS Orchestra, da Orquestra Sinfônica de Columbus e da Orquestra Sinfônica de Waterbury.
Ocupou também a posição de primeiro violista nos programas New Music New Haven, em Yale, e no New Music Ensemble da Universidade de Indiana. Atuou nessa mesma função na orquestra do Festival dei Due Mondi, em Spoleto, Itália.
Uma trajetória por diversas orquestras norte-americanas
Antes de chegar ao Brasil, Pas reuniu uma experiência orquestral ampla e variada. Integrou a Orquestra de Câmara de Indianápolis e as orquestras sinfônicas de Bowling Green, Evansville, New Britain, Owensboro, Richmond, Ridgefield, South Bend e West Chester.
Passou ainda pela New World Symphony, ensemble de prestígio voltado a jovens músicos profissionais nos Estados Unidos. Essa circulação por conjuntos de diferentes portes e estilos forjou um músico versátil e experiente.
Festivais e masterclasses internacionais
A formação de Peter Pas não se restringiu às salas de aula. Ele participou do Ravinia Festival, em Highland Park, Illinois, um dos festivais ao ar livre mais tradicionais dos EUA.
Esteve no Banff International String Quartet Festival, nas Montanhas Rochosas canadenses, e no festival da Orquestra Jovem Nacional do Canadá (NYO Canada). Tocou em masterclasses com artistas como Alan de Veritch, David Chen, Emanuel Vardi, Nobuko Imai, Paul Neubauer, Peter Slowik, Pinchas Zukerman, Rainier Moog e Yizhak Schotten.
Atuação na OSESP: solista, câmara e ensemble
Desde 1998, Peter Pas ocupa a posição de viola concertino na OSESP. Nesse período, apresentou-se como solista à frente da própria OSESP, da Orquestra Jovem do Estado de São Paulo, da Orquestra Sinfônica de Limeira (OSLI) e da Orquestra de Concerto da Universidade de Indiana.
Em 2008, tornou-se membro fundador do Quarteto Osesp, grupo de câmara da orquestra que leva o nome da instituição. O quarteto figura em diversas gravações do catálogo da OSESP, incluindo discos como Dois Quartetos Brasileiros e os registros das Encomendas Osesp de 2019 e 2021-22.
Entre as memórias mais marcantes de seus mais de 20 anos na OSESP, Pas destaca as diversas turnês internacionais realizadas com o grupo, experiências que reforçam o alcance global da orquestra.
Duo Portinari: música a dois
Peter Pas mantém com sua esposa, a harpista Soledad Yaya, o Duo Portinari. A formação de viola e harpa é incomum no repertório camerístico, o que confere ao projeto um caráter singular.
O nome do duo é uma homenagem ao pintor brasileiro Cândido Portinari, referência da arte nacional, revelando a ligação afetiva do músico com o Brasil, país que escolheu como lar.
Magistério: Academia de Música da OSESP e EMESP Tom Jobim
Além de sua atuação como intérprete, Peter Pas dedica parte significativa de seu tempo ao ensino. É professor de viola e música de câmara da Academia de Música da OSESP, formando novas gerações de instrumentistas.
Por mais de 10 anos, foi coordenador das cordas e professor de viola da EMESP Tom Jobim, escola de música do governo do Estado de São Paulo. Seu trabalho pedagógico amplia o impacto de sua presença no cenário musical brasileiro.
Este perfil faz parte do trabalho do Violino Didático em mapear os grandes nomes do mundo das cordas no Brasil. O Violino Didático é uma iniciativa de Jean de Oliveira, referência no ensino de violino a distância em língua portuguesa. Conheça o canal e siga nas redes sociais para acompanhar entrevistas, conteúdos e perfis de músicos como Peter Pas.