Rafael Duarte: do violino encontrado por acaso à disciplina de engenheiro
Rafael Duarte não planejava tocar violino. Ele sequer havia tocado em um de perto antes de 2021. O que começou com curiosidade sobre um instrumento esquecido na casa da namorada virou uma jornada de aprendizado autodidata, disciplinada e surpreendentemente eficiente.
Engenheiro de formação, hoje Rafael concilia o doutorado em energia solar térmica com o estudo do violino. Para ele, o instrumento ainda é um hobby. Mas é um hobby levado a sério, com método e autocrítica.
O violino que apareceu do nada
A história começa com um instrumento encostado. O padrão da namorada de Rafael tinha um violino guardado em casa. Em 2018, ela comentou que o instrumento existia, mas não sabia onde estava. Em 2019, Rafael perguntou de novo. Em 2020, o violino finalmente apareceu.
Na época, Rafael estava no meio de um quadrimestre na faculdade e optou por esperar. Sabia que, se pegasse o violino naquele momento, não largaria mais. Quando o quadrimestre terminou, ele pegou o instrumento e nunca mais largou.
O primeiro contato foi divertidamente analítico. Rafael e a namorada, sem saber nada sobre violino, fizeram uma inspeção detalhada do instrumento. Notaram que o cavalete estava torto, que a curvatura não era simétrica. Pegaram o arco e perceberam que a crina estava tocando a madeira. Descobriram o botão de tensionar. Tentaram tocar e não saiu som algum.
A conclusão inicial foi de que seria preciso uma técnica muito específica para encontrar a pressão certa do arco. Só depois de pesquisar descobriram que faltava breu, a resina aplicada à crina para gerar atrito com as cordas.
Aprender sozinho, com rigor
Com breu e espaleira em mãos, Rafael começou a estudar por conta. Afinação, marquinhas no espelho, primeiros exercícios de arco. Ele encontrou os vídeos do canal Violino Didático logo no início e seguiu a playlist de iniciantes, aprendendo as primeiras cordas, os primeiros dedos, as primeiras músicas.
Depois de percorrer o material inicial, Rafael migrou para o Método Suzuki. Sem professor, sem aula particular, sem feedback externo. Fez o livro inteiro por conta própria.
Com Jean de Oliveira, ele comentou que nunca se gravava no começo. Usava o espelho para verificar a posição do arco e achava que estava indo bem. Até que decidiu gravar pela primeira vez, só o áudio, para postar online.
O que ouviu não era o que esperava. O detaché não estava limpo. Havia pequenas pausas entre as notas que ele não percebia em tempo real. Ele trabalhou para corrigir, gravou de novo e o problema melhorou.
Depois, quando foi gravar em vídeo para postar a peça Minueto 3, percebeu algo ainda mais revelador: o arco estava torto. No espelho, parecia reto. Na gravação, estava claramente irregular. O movimento do antebraço parecia correto para ele, mas não era o que aparecia na tela.
A decisão foi corajosa: em vez de seguir em frente, Rafael voltou ao começo do livro Um e refez tudo, desta vez gravando cada ensaio para corrigir o que o espelho não mostrava.
A lógica do engenheiro aplicada ao violino
Jean destacou que poucas pessoas percebem a importância de se gravar. É algo óbvio, mas raramente praticado. Rafael explicou sua lógica com clareza: você tem uma referência de como deve ser, tem o que está produzindo e precisa identificar a diferença entre os dois. É o mesmo raciocínio de quem trabalha com engenharia, comparar parâmetros e ajustar.
Ele não guardou os vídeos. Gravava, assistia, identificava o problema, anotava o que precisava corrigir e apagava. O objetivo nunca foi documentar a jornada, mas ter um olhar externo sobre a própria prática.
Essa autocrítica acompanhou Rafael até o momento em que decidiu buscar um programa de ensino. Mesmo com um nível acima da média para quem estudou sozinho, ele sabia que havia erros que não conseguia identificar. E sabia também que, quanto mais tempo levasse para corrigi-los, mais difícil seria desaprendê-los depois.
Por que o Violino Didático
Entre as opções disponíveis, Rafael escolheu o programa online do Violino Didático. A escolha não foi aleatória. Ele já acompanhava Jean havia algum tempo, inclusive nas lives abertas em que Jean atendia alunos publicamente. Nessas transmissões, Rafael observava o jeito de ensinar e o resultado nos alunos. Isso foi o que o convenceu.
Quando entrou no programa, Rafael enviou um vídeo tocando a Gavota do Método Suzuki. A avaliação foi positiva o suficiente para que ele não precisasse refazer o material anterior. Começou direto na faixa amarela, com as primeiras tonalizações e ressonâncias do MJO, o programa avançado do Violino Didático.
Para quem está tentando aprender sozinho e não pode investir em um professor agora, Rafael tem um conselho direto: grave-se. Não só o áudio, mas o vídeo. Assista à gravação com atenção. Compare com uma referência confiável. Identifique o que está diferente e trabalhe para corrigir. É simples, mas transforma o estudo em casa.
Um hobby com compromisso
Rafael não descarta a possibilidade de que o violino ocupe um espaço maior na sua vida no futuro. Por enquanto, ele é doutorando, pesquisador de energia solar e violinista por prazer. Mas é o tipo de prazer que exige rigor, revisão e honestidade consigo mesmo.
A história dele mostra que aprender violino do zero, como adulto e sem professor, é possível. Não é o caminho mais rápido, mas com método, gravação e disposição para corrigir o que está errado, dá para chegar a um nível real.
Ouça o episódio completo no YouTube: RAFAEL DUARTE - Podcast do Violino Didático #040