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Renatinho: violino, samba e música negra brasileira

Podcast Violino Didático

Renatinho é violinista, professor e pesquisador de música popular brasileira. Criador da Lark Escola de Violino em São Paulo, ele transita com naturalidade entre casamentos, shows de samba, choro, jazz e trilhas para aulas de dança. Mas o que talvez mais defina sua trajetória é uma pesquisa apaixonada e independente sobre a música negra brasileira.

Ele chegou ao estúdio do Violino Didático direto de casa, a apenas 18 minutos de distância. Jean de Oliveira o recebeu com a clássica simpatia do podcast e logo puxou a conversa para onde ela mais interessa: de onde vem esse violinista e o que o move.

Uma família que ensina pelo ambiente

Renatinho cresceu numa família de músicos. Não de músicos eruditos, mas de músicos de samba. Tios, primos, pai, mãe, todos tocavam algum instrumento ou cantavam. Percussão, violão, cavaco, vozes. Era o quintal de casa vibrando com música.

Com cerca de sete anos, ele começou tocando cavaco. Com nove, o violino entrou na vida dele quase por acaso. O instrumento estava ali, na casa da tia, entre outros, e alguém simplesmente mostrou como segurar. Foi assim, na observação e na imitação, que as primeiras notas saíram.

Essa origem explica muito do jeito que ele toca hoje. Quando está no cavaco, por exemplo, ele não pensa em teoria. Ele simplesmente toca. É como um segundo idioma, como ele mesmo disse: “Às vezes a pessoa pergunta que tom tá, e eu fico: eita. Porque eu não fico racionalizando. É um lugar muito mais cultural.”

O primo que é um ídolo

Há uma figura central na formação de Renatinho: seu primo Alace. Violinista da OSESP, Alace estudou nos Estados Unidos e é autor de um material sobre vibrato que Renatinho descreve como referência inigualável.

“Ele é meu primo, mas antes de ser meu primo é meu ídolo e meu grande incentivador”, disse Renatinho. A admiração é evidente. E faz sentido: ter alguém na família que já chegou onde você quer chegar muda completamente a percepção do que é possível.

Jean ficou tão curioso com a descrição que pediu para incluir o nome do Alace na lista de convidados futuros do podcast. Renatinho endossou sem hesitar.

Formação erudita com duas grandes mestras

Do quintal para o conservatório, Renatinho teve uma formação sólida. Ele estudou com duas das professoras mais reconhecidas de São Paulo: Cecília Guida e Elisa Fukuda. “Tenho orgulho de dizer que tive duas mestras”, afirmou com simplicidade.

Ele é bacharel em violino e também tem pós-graduação em psicopedagogia, área que escolheu justamente para entender melhor o processo de ensinar. Começou a dar aula com 16 anos, e cedo percebeu que saber tocar não significa automaticamente saber ensinar.

“A consciência para dar aula é diferente”, explicou. “Você precisa entender o processo de aprendizado de várias pessoas, não só o seu. Cada aluno tem uma cultura, aptidões, desejos diferentes. Tudo isso influencia.” Ele lembrou que a psicopedagogia foi o que deu ferramentas concretas para ele se sentir bem em sala de aula. Quando você tem ferramentas, você gosta do que faz.

Ao longo dos anos, Renatinho foi aprofundando sua relação com a música popular. Samba, choro, bossa nova, jazz, folk, vários estilos passaram pelo seu arco. Mas foi dentro da música brasileira que ele encontrou seu foco mais profundo: a música negra brasileira.

Ritmos e compositores com raízes afrodescendentes, estilos que carregam a história e a cultura negra do país. É uma pesquisa independente, feita por amor e por convicção. “Essa é uma das minhas pesquisas. Onde eu vou mais a fundo. Onde eu gosto mais”, disse ele.

Essa escolha não é só estética. É política, histórica, afetiva. É uma maneira de dizer que essa música merece atenção, profundidade e cuidado.

O nome da escola e a relação com o arco

A escola de violino que Renatinho criou se chama Lark. Não é referência ao inglês simples. É L’Ark, uma combinação que remete ao arco do violino, o “arc” em francês. Uma escolha elegante para quem vive pensando em cada detalhe do instrumento.

Além da escola, ele toca em eventos, shows, aulas de dança e continua pesquisando. É um músico que não se encaixa numa caixa só. E parece se orgulhar disso.

Música é som, não é papel

Um dos momentos mais bonitos da conversa foi quando Jean comentou sobre a importância de entender que música é som, não tinta no papel. Renatinho concordou de imediato e completou com algo que veio direto da experiência:

“Quando eu tô no cavaco, eu volto a ter nove anos. É a música no sentido literal da palavra. Não é o nome do que estou fazendo. Não é ‘isso é uma sétima’. É muito mais do que isso.”

Essa visão de música como algo vivo, cultural, corporal é o que une sua formação erudita com suas raízes no samba. E é também o que torna sua história tão inspiradora para qualquer violinista, iniciante ou avançado.

Ouça o episódio completo no YouTube: RENATINHO - Podcast do Violino Didático #034

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