Thales Rocha: de programador a violinista pelo método online
Thales Rocha é programador, desenvolvedor web e, por incrível que pareça, campeão cearense de Mega Mink Cubo Mágico. Mas antes de chegar a esse título, ele também passou por uma jornada que poucos esperariam: aprender violino do zero, sozinho, durante a pandemia, sem nunca ter pisado numa aula presencial de música.
A conversa com Jean de Oliveira no Podcast do Violino Didático foi descontraída, honesta e cheia de detalhes curiosos. Thales não tinha planos grandiosos quando começou. Ele só viu um amigo vendendo um violino e pensou: por que não?
Um violino comprado de amigo e nenhum plano
Desde criança, Thales gostava de instrumentos musicais. Piano era um favorito, mas ele mesmo reconhece: piano não é prático para carregar por aí. Quando um amigo anunciou que estava vendendo um violino, a decisão foi quase imediata.
O instrumento chegou. O plano, ainda não existia. A primeira atitude foi pesquisar no YouTube, e foi aí que o Violino Didático apareceu logo nos primeiros resultados. Thales começou a assistir aos vídeos gratuitos, tentou posicionar o violino, foi colocando os dedos nas cordas, mas não foi muito além disso.
Quando percebeu que as inscrições para o programa de acompanhamento estavam prestes a abrir, tomou uma decisão pouco comum: preferiu esperar e pagar pelo suporte do que continuar avançando de graça. Para quem trabalha com tecnologia e está acostumado a fazer cursos online de programação, a lógica fez todo sentido.
Pandemia, home office e violino à noite
Thales entrou no programa em 2019, e o início do seu aprendizado coincidiu com o começo da pandemia. Tempo livre havia. A rotina que ele montou era simples: todo dia à noite, depois do expediente no computador, pegava o violino.
Ele morava com os pais, a irmã e o irmão João, que também participou da conversa. João foi bem sincero ao descrever a experiência de ouvir alguém aprendendo violino do cômodo ao lado: bonito de ver a evolução, mas a repetição constante das mesmas notas pedia fone com cancelamento de ruído.
Os vizinhos, surpreendentemente, nunca reclamaram. Jean aproveitou o assunto para lembrar algo importante: muita gente deixa de começar com medo de incomodar os outros. Mas o som do violino, filtrado por uma parede, é muito menos impactante do que parece para quem está tocando com o instrumento colado ao ouvido.
O que acontece quando você começa a ouvir música clássica de verdade
Um dos momentos mais interessantes da conversa foi quando Thales contou sobre sua relação com a música clássica. Ele já gostava antes de começar a tocar. Mas depois que entrou no programa, essa relação mudou completamente.
Grande parte do repertório trabalhado no método é de música clássica, e Thales foi fundo: buscou os principais concertos para violino, ouviu gravações, assistiu a vídeos no YouTube e acabou conhecendo praticamente todo o repertório concertístico do instrumento.
Quando Jean perguntou qual concerto mais o fisgou, a resposta veio sem hesitar: Tchaikovsky. Mas não a primeira gravação que ele encontrou. Foi quando ouviu Hillary Hahn que algo mudou.
Thales não conseguia explicar exatamente o que tornava aquela gravação especial para ele. Jean ajudou a colocar em palavras: Hillary Hahn tem uma qualidade rara de ser profundamente expressiva de forma contida. Tecnicamente perfeita, mas sem exageros. Não é um estilo que agrada a todo mundo, mas quando pega, pega de verdade.
Jean também aproveitou para comentar que Hillary Hahn está atualmente num período sabático por conta de uma síndrome no nervo, uma condição ocupacional que pode afetar músicos de alta performance após décadas de prática intensa. Ressaltou, com bom humor, que isso não é algo comum para quem toca como hobby, e que sempre que sentir qualquer desconforto, o caminho é procurar um médico, não o Google.
Postura, estranheza e o corpo desacostumado
Thales admite que nunca tinha pensado que tocar um instrumento exigiria uma postura tão específica. Braço levantado, pescoço ajustado, arco seguro de determinada forma: tudo isso era novo e, no começo, bem estranho.
Quando Jean perguntou se a atenção à postura no violino tinha refletido em outros hábitos, Thales riu e foi honesto: ele é, nas palavras dele, “todo torto”. Faz sentido, considerando que passa entre 8 e 10 horas por dia na frente do computador trabalhando, e ainda usa o computador no tempo livre.
A conversa sobre postura acabou sendo um dos momentos mais leves do episódio, com João comentando de longe e os dois irmãos se cutucando sem cerimônia.
Um aluno que virou exemplo
Thales foi um dos primeiros alunos do Violino Didático Academy, nome que o programa tinha antes de se tornar o MJO. Jean o citou como um dos primeiros exemplos de quem aprendeu 100% online e chegou a um nível real de execução no instrumento.
Esse caminho, aliás, foi o mesmo de Igor, outro aluno mencionado durante a conversa: alguém que aprendeu exclusivamente online e que, em 2025, começou o bacharelado em violino na UDESC, a Universidade Estadual de Santa Catarina, com quase nota máxima na prova de instrumento.
Thales não seguiu para o profissional. Sua vida é a programação e, atualmente, o cubo mágico. Mas a história dele diz muito sobre o que é possível quando alguém decide aprender de verdade, mesmo sem aula presencial, sem plano grandioso e com um violino comprado de um amigo que provavelmente nunca chegou a tocar.
Ouça o episódio completo no YouTube: THALES ROCHA - Podcast do Violino Didático #140