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Wellington Brecher: violino, música sacra e recomeços

Podcast Violino Didático

Wellington Brecher é violinista, professor e fundador de uma das comunidades de música sacra mais ativas da internet brasileira. Natural de Cascavel, no Paraná, ele acumulou passagens por orquestras e projetos sociais em diferentes cidades antes de voltar à sua terra e construir algo do zero. A conversa com Jean de Oliveira foi uma daquelas que fazem voltas, abre parênteses, fecha, abre de novo e termina muito mais rica do que começou.

Wellington chegou a Cotia depois de quase mil quilômetros de estrada, dirigindo pela primeira vez em São Paulo. A estratégia dele para não se perder: ficar na pista do meio. Funcionou. Pelo menos de manhã, porque na noite anterior, na chuva e no trânsito, o negócio foi mais complicado.

De Cascavel a Goiânia: uma trajetória em movimento

A jornada musical de Wellington passou por cidades e experiências bem diferentes. Ele estudou violino e, em 2018, foi aprovado na prova da Orquestra Sinfônica de Goiânia. A mudança fazia sentido naquele momento: o salário era melhor do que o que conseguia em Curitiba, onde precisava se dividir entre vários locais de trabalho para manter a renda. Além disso, ele e a esposa queriam um clima mais quente.

Em Goiânia, além de tocar na Sinfônica, Wellington também dava aula em um projeto social do Estado. Era uma rotina intensa, mas funcionava. Até que a pandemia chegou e mudou tudo.

A pandemia e o soco na cara

Wellington estava em Belém do Pará quando o Brasil entrou em colapso. Ele estava dando uma série de aulas no projeto Vale Música, com o professor Dr. Carmelo de Los Santos, quando veio o aviso: todos voltariam para casa no dia seguinte porque os aeroportos estavam fechando.

O aeroporto deserto de Belém foi o momento em que a gravidade da situação ficou clara. No voo de volta para São Paulo, havia mais tripulantes do que passageiros. Era algo que ele nunca tinha visto. O soco, como ele mesmo descreveu, foi bem real.

De volta a Goiânia, as notícias só pioravam. Em abril, dezenas de professores de artes foram demitidos do projeto estadual com uma única canetada. Wellington conta que os gestores nunca entenderam bem por que uma turma de violino precisava ter apenas dez alunos, enquanto as de matemática ou português tinham trinta ou quarenta. A pandemia foi a oportunidade para encerrar o que já estava estrangulado.

No meio de tudo isso, o filho de Wellington nasceu em maio, com parto normal e três dias de internação por conta de uma questão de icterícia. A esposa precisou ficar um dia a mais no hospital. A maternidade logo depois entrou em quarentena por casos de covid. Foi um período de emoções muito intensas, empilhadas uma sobre a outra.

A volta para Cascavel e o recomeço

Com a orquestra parada, o projeto encerrado e uma criança pequena, Wellington e a esposa tomaram uma decisão: voltar para Cascavel. O pai dele tinha uma casa desocupada ao lado da sua, onde o irmão William já usava o espaço para dar algumas aulas de violino. Era um ponto de partida.

Não havia garantia de renda. Mas havia estrutura familiar, custo de vida menor e a possibilidade de reconstruir algo com mais autonomia. Foi o que aconteceu.

Hoje Wellington tem uma escola de música presencial em Cascavel. Junto com outros músicos, ele fundou a Camerata Allegro, um grupo que completou dois anos de existência. Recentemente, eles formalizaram a atuação criando um instituto próprio, o que permite participar de editais e captar recursos via leis de incentivo à cultura, como a Lei Rouanet.

A Camerata Allegro e o Instituto

A Camerata Allegro pode ser encontrada nas redes como @cataelegro. Wellington explica que projetos como o deles podem ser apoiados por empresas e até por pessoas físicas, sem custo adicional real para quem já paga imposto de renda. Pessoa física pode abater até 6% do IR, pessoa jurídica até 4%. O dinheiro que iria para o governo pode ser direcionado para projetos culturais que o contribuinte escolhe apoiar.

O primeiro projeto já foi submetido. A esperança, segundo ele, é grande.

Música sacra, comunidade e internet

Além da escola e da camerata, Wellington construiu uma comunidade voltada à música sacra no violino. É esse trabalho que Jean de Oliveira destacou logo na abertura da conversa: uma das maiores comunidades do gênero na internet brasileira.

Para Wellington, a música sacra não é apenas repertório. É contexto, é finalidade diferente. Ele menciona que tocar na igreja exige um filtro específico, onde nem sempre as condições são ideais, mas o propósito muda a experiência.

Postura, esposa fisioterapeuta e o professor Bozzini

Um dos momentos mais divertidos da conversa foi sobre postura. A esposa de Wellington é fisioterapeuta e, embora não fique fiscalizando ele o tempo todo, já fez avaliações e confirmou o que o professor Bozzini havia notado anos antes: uma leve escoliose. Wellington estudou com Bozzini em Curitiba entre 2010 e 2018, em aulas que aconteciam a cada dois meses. O professor tem uma abordagem muito voltada ao corpo, com referências em anatomia e na Técnica Alexander.

O violinista também mencionou o violinista Adriano Vargas, de Cascavel, com quem tem uma amizade antiga. Adriano foi padrinho de casamento de Wellington e é um dos padrinhos da Camerata Allegro. Jean concordou de imediato com o elogio: Adriano tem um som inconfundível.

Uma conversa que vale o desvio

A conversa com Wellington Brecher é daquelas que mostram o que está acontecendo fora dos grandes centros. Músicos que tocaram em orquestras profissionais, que passaram por projetos sociais, que viveram a pandemia com recém-nascido no colo, e que decidiram construir comunidade e ensino musical com o que tinham à disposição.

Não é uma trajetória linear. É uma trajetória real.

Ouça o episódio completo no YouTube: WELLINGTON BRECHER - Podcast do Violino Didático #121

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