David Marques: Viola da OSESP
David Marques integra o naipe de violas da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP) desde 1992, acumulando mais de três décadas de contribuição a uma das mais importantes orquestras das Américas. Natural de São Paulo, ele construiu uma trajetória sólida, marcada por uma formação diversificada e por experiências marcantes ao lado de nomes fundamentais da música clássica mundial.
Sua obra favorita revela muito sobre seu gosto musical: as quatro sinfonias de Johannes Brahms ocupam um lugar especial em sua vida artística. Esse apreço pela grande tradição orquestral convive, de forma curiosa e rica, com uma paixão crescente pela música barroca em instrumentos históricos.
Formação: de São Paulo a Tatuí
Os primeiros contatos de David Marques com a música aconteceram em casa, com a própria mãe como professora. Essa base afetiva e musical abriu caminho para uma formação institucional consistente.
Ele ingressou no Conservatório Dramático e Musical Dr. Carlos de Campos, em Tatuí, uma das mais tradicionais escolas de música do interior paulista. Em seguida, estudou na Escola Municipal de Música de São Paulo (EMMSP), onde se formou sob orientação de Alejandro de Léon.
A trajetória acadêmica prosseguiu na Universidade Livre de Música, atual EMESP Tom Jobim, e na Universidade de Varginha, com o professor Celso Gomes. Durante esses anos, teve ainda aulas com Cláudio Cruz, Horácio Schafer e Ricardo Zwetisch, nomes de referência no cenário musical brasileiro.
Masterclasses com gigantes do violino
A formação de David Marques ganhou dimensão internacional por meio de masterclasses com alguns dos maiores intérpretes do século XX. Entre os músicos com quem estudou estão Isaac Stern, violinista polonês de prestígio mundial; Erick Friedman, concertista norte-americano e ex-aluno de Jascha Heifetz; e Sidney Harth, que ocupou o posto de spalla tanto na Orquestra Filarmônica de Nova York quanto na Orquestra Sinfônica de Chicago.
Também participou de classes com Thomas McDavid, Tabea Zimmermann e Pinchas Zukerman, nomes que representam o mais alto nível da interpretação de cordas no cenário internacional. Essas experiências moldaram sua visão artística e técnica de maneira profunda.
Uma trajetória orquestral ampla
Antes de se consolidar na OSESP, David Marques passou por diversas formações orquestrais relevantes. Integrou a Orquestra Villa-Lobos, a Orquestra Experimental de Repertório (OER), a Orquestra Sinfônica de Santo André (OSSA) e a Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto (OSRP), além do grupo Jovens Solistas Brasileiros.
Como solista, esteve à frente da Orquestra do Festival de Artes de Itu, da Orquestra Jovem de Ilha Solteira e da Orquestra da Oficina de Música de Curitiba. Participou também de festivais como o de Artes de Itu, a Oficina de Música de Curitiba e o Festival de Inverno de Campos do Jordão.
Câmara, quartetos e vida musical fora da orquestra
A música de câmara sempre foi parte essencial da vida musical de David Marques. Ele integrou o Quarteto Fundec, grupo formado por instrumentistas da OSESP e ligado à Fundação Eleazar de Carvalho.
Atualmente, faz parte do Vibrato, quarteto de cordas composto por músicos da própria OSESP. Essa atuação camerística complementa sua presença na orquestra e demonstra um comprometimento contínuo com diferentes formatos de prática musical.
Na OSESP: gravações e um concerto histórico
David Marques participou de todos os álbuns gravados pela OSESP, o que representa um acervo discográfico de enorme relevância para a música brasileira. Também integrou todos os CDs da Orquestra Villa-Lobos, colaborando com a preservação e difusão do repertório nacional.
Entre todas as experiências vividas com a OSESP, uma se destaca com força especial: o concerto de inauguração da Sala São Paulo, em 9 de julho de 1999. Naquela noite histórica, foi apresentada a Sinfonia nº 2, “Ressurreição”, de Gustav Mahler, sob a regência de John Neschling. Para David, esse momento ficou marcado como um dos mais significativos de toda a sua carreira.
Interesses além do palco
A curiosidade intelectual de David Marques não se limita à performance. A prática orquestral despertou nele o interesse pela regência, área na qual buscou aprofundamento em um curso com o maestro e violinista Cláudio Cruz.
Outro interesse crescente é a música barroca com instrumentos históricos, área na qual está se especializando. Fora do palco, David dedica seu tempo a correr, pedalar e ouvir jazz, um perfil que combina disciplina física com sensibilidade estética.
Este perfil faz parte do trabalho do Violino Didático em mapear os grandes nomes do mundo das cordas no Brasil. O Violino Didático é uma iniciativa de Jean de Oliveira, referência no ensino de violino a distância em língua portuguesa. Conheça o canal, explore os mais de 137 episódios do podcast e acompanhe o projeto nas redes sociais.